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Biblioteca técnica · Coleção de manufatura · Edição ampliada

Conhecimento técnico para uma manufatura de alto desempenho

Do controle econômico à metalurgia dos materiais: uma biblioteca técnica para conectar processo, qualidade, custos e decisões industriais.

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Conteúdo técnico organizado em módulos independentes, com navegação e índice próprios.

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Este volume ensina a medir, decidir e melhorar o resultado econômico de uma fábrica de ferragens em zamac. Segue a arquitetura dos clássicos de custos e gestão — fundamentos, custeio do produto, decisões, desempenho — aplicada a uma peça real de processo, com exemplos resolvidos, resumos e exercícios com gabarito.

ABERTURA

Prefácio

Para quem é. Gestores industriais, engenheiros de processo, controllers e analistas de FP&A de fábricas de ferragens e peças fundidas. O leitor não precisa saber contabilidade; precisa decidir com números.

Como está organizado. A sequência segue a dos manuais de referência em contabilidade de custos e gestão — Horngren, Datar e Rajan; Eliseu Martins; Kaplan e Cooper — e acrescenta o que esses livros tratam pouco: o processo de fundição sob pressão e o acabamento galvânico.

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
PartePergunta que respondeCapítulos
I — FundamentosComo o custo se comporta e como ele chega à DRE?1 Custos e a gestão da manufatura · 2 Custo-volume-lucro
II — Custeio do produtoQuanto custa cada peça, e por quê?3 Absorção e variável · 4 Custo-padrão e variações · 5 ABC, TDABC e UEP · 6 O custo da peça de zamac
III — DecisõesO que fazer com essa informação?7 Custos relevantes · 8 Formação de preço · 9 Investimentos
IV — Desempenho e melhoriaComo medir e melhorar o resultado?10 Custo da qualidade · 11 Contabilidade Lean e de ganhos · 12 Indicadores e ponte para o EBITDA · 13 Programa de redução de custos
Como cada capítulo funciona

Objetivos de aprendizagem no início; conceito, fórmula e exemplo resolvido no corpo; quadros “Na fábrica” com a aplicação ao zamac; resumo e exercícios no fim. O gabarito, o formulário, o glossário e a bibliografia estão nos apêndices.

O fio condutor

Uma peça hipotética atravessa o livro: maçaneta de zamac cromada, 150 g, molde de 2 cavidades. Ela recebe custo nos Capítulos 3 a 6, sustenta decisões no 7 a 9 e mede perdas e ganhos no 10 a 13. Ao lado dela, a DRE ilustrativa de R$ 10 milhões e o plano industrial de R$ 85 milhões das planilhas internas servem para os temas da empresa como um todo.

Três tipos de número, sempre identificados
  • Dados das planilhas internas (pastas CUSTOS e ZAMAC): premissas de trabalho, não resultados fechados.
  • Dados de fontes técnicas (NADCA, Votorantim, Frech, Juran, Werkema, UFRGS): citados com a origem.
  • Hipóteses didáticas: servem para mostrar o método. Substitua pelos números reais antes de decidir.
Limites

Tributos e regras contábeis aparecem como estrutura de cálculo. Alíquotas, regimes e a transição para CBS e IBS devem ser validados com a contabilidade. Este material não substitui assessoria contábil, fiscal ou financeira.

ESTRUTURA DO LIVRO

Parte I — Fundamentos

CAPÍTULO 01

Capítulo 1Custos e a gestão da manufatura

O custo não é um número único: o mesmo gasto pode ser custo, despesa, investimento ou perda, e cada classificação leva a uma decisão diferente.

1.1Três contabilidades

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
FinanceiraDe custosGerencial
PerguntaQuanto a empresa ganhou?Quanto custou o que foi produzido?Que decisão tomar?
UsuárioFisco, auditoria, bancos, sóciosContabilidade e controladoriaDiretoria, engenharia, comercial, PCP
RegrasObrigatórias (CPC)Obrigatórias para estoque (CPC 16)Livres: o que ajudar a decidir
Método típicoAbsorçãoAbsorção, padrãoVariável, ABC, custos relevantes
ProdutoDRE e balançoCusto dos estoques e do CPVCusto por SKU, margens, orçamento, análises

A contabilidade de custos nasceu para avaliar estoques e depois virou ferramenta de controle e de decisão (Martins, Contabilidade de Custos). O risco é usar o número feito para uma finalidade na outra: o custo por absorção, correto para o balanço, induz a erros de mix e de preço (Capítulos 3 e 7).

1.2Gasto, investimento, custo, despesa e perda

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
TermoDefiniçãoExemplo na fábrica
GastoSacrifício financeiro para obter um bem ou serviçoCompra de 20 t de lingote de zamac
InvestimentoGasto ativado, que beneficia períodos futurosMolde novo, injetora, estoque de liga
CustoGasto com bens e serviços usados na produçãoLiga consumida, energia do forno, MOD do polimento
DespesaGasto com bens e serviços para vender e administrarComissão do representante, frete de entrega, folha do financeiro
PerdaConsumo anormal e involuntário, sem geração de receitaLiga derramada num vazamento de cadinho; lote inteiro sucateado por enchente
DesembolsoPagamento, que pode ocorrer antes, durante ou depois do gastoPagamento a 60 dias da compra de liga

A linha entre custo e perda separa o normal do anormal. A borra que todo forno gera (1,5–4% da liga) é custo e entra no produto; um derramamento é perda e vai direto ao resultado. Misturar os dois infla o custo-padrão e esconde o problema.

1.3As classificações que sustentam todo o resto

O objeto de custo é aquilo cujo custo se quer saber: uma peça, um lote, um cliente, uma linha de galvanoplastia. As classificações são sempre relativas a ele.

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
ParPerguntaExemplo (objeto: a maçaneta)
Direto × indiretoDá para medir o consumo pelo objeto sem rateio?Liga por peça (direto) × salário do PCP (indireto)
Variável × fixoO total muda com o volume?Energia de fusão (variável) × aluguel do galpão (fixo)
Custo × despesaServe para fabricar ou para vender e administrar?Manutenção do molde × comissão
Do produto × do períodoVai para o estoque ou para o resultado do mês?Custo fabril (produto) × despesas (período)
Controlável × não controlávelO gestor da área decide sobre ele?Consumo de níquel (supervisor do banho) × depreciação do prédio

Um mesmo custo muda de classe conforme o objeto. A energia da injetora é direta para a célula e indireta para a peça, se a célula faz vários produtos sem medição separada.

1.4O fluxo dos custos: do estoque à DRE

Na indústria os custos passam por três estoques antes de virar CPV: matéria-prima, produtos em elaboração e produtos acabados.

MODELO MATEMÁTICO
\[CPP = MP_{consumida} + MOD + CIF \qquad CPA = EI_{elab} + CPP - EF_{elab} \qquad CPV = EI_{acab} + CPA - EF_{acab}\]

CPP é o custo de produção do período; CPA, o custo da produção acabada; EI e EF, estoques inicial e final. Numa fábrica de zamac, o estoque em elaboração é grande: peças injetadas aguardando rebarbação, polimento e banho. Ele imobiliza caixa e esconde refugo (Capítulos 10 e 12).

1.5Anatomia da DRE de uma indústria de ferragens

A planilha interna DRE_Padrao_Metalmecanica traz uma DRE ilustrativa de fechaduras, cadeados e acessórios:

DADOS & REFERÊNCIAS13 linhas
ContaR$/ano% da receita líquida
Receita bruta10.000.000121,95%
(−) Deduções (tributos, devoluções)(1.800.000)(21,95%)
Receita líquida8.200.000100,00%
(−) CPV(4.920.000)(60,00%)
Lucro bruto3.280.00040,00%
(−) Despesas comerciais(656.000)(8,00%)
(−) Despesas administrativas(574.000)(7,00%)
(−) Despesas logísticas(246.000)(3,00%)
EBITDA1.804.00022,00%
(−) Depreciação e amortização(246.000)(3,00%)
EBIT1.558.00019,00%
(−) Resultado financeiro(164.000)(2,00%)
Resultado antes de IRPJ/CSLL1.394.00017,00%
Na fábricaO que cada linha carrega

CPV: zamac, aço e latão; galvanoplastia; mão de obra direta; energia; manutenção; ferramental; perdas normais de processo. Comercial: representantes e comissões, trade marketing, marketplaces, logística comercial. Administrativo: engenharia, PCP, qualidade, financeiro, RH.

O EBITDA mede a geração de caixa operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Não é caixa: ignora investimentos em capital de giro e em máquinas (Capítulo 12).

1.6Como auditar um modelo de DRE

As planilhas da pasta CUSTOS mostram quatro erros comuns:

Rótulo que não fecha com a conta. A DRE padrão rotula o EBITDA como “~10%”; as linhas dão 22% (R$ 3.280.000 − 656.000 − 574.000 − 246.000 = R$ 1.804.000).

Texto explicativo com outra conta. A aba de notas chega a R$ 820.000 com as mesmas despesas.

Percentuais que somam mais de 100% da receita. Os modelos “3 regimes” e de controladoria aplicam tributos, CPV de 70% e despesas de 20% sobre a receita bruta:

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
ModeloTributosEBITDA calculadoMargem
Lucro Real (receita R$ 3 milhões/ano)15%−R$ 150.000−5,0%
Lucro Presumido13,33%−R$ 99.900−3,3%
Simples Nacional12%−R$ 60.000−2,0%
Controladoria (R$ 833 mil/mês)18%−R$ 66.667/mês−8,0%

Base trocada. Todo percentual “da receita” precisa dizer se a base é bruta ou líquida: 18% sobre a bruta são 21,95% sobre a líquida.

Regra prática

Refaça a cascata à mão e confira que tributos + custos + despesas + resultado = 100% da mesma base.

Resumo do capítulo
  • Financeira, de custos e gerencial respondem a perguntas diferentes; o mesmo número não serve para todas.
  • Investimento, custo, despesa e perda dependem da finalidade e da normalidade do gasto.
  • Direto/indireto depende do objeto de custo; fixo/variável depende do volume.
  • O custo passa por matéria-prima, elaboração e acabados antes de virar CPV.
  • Modelo de DRE só se usa depois de refazer a cascata.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 1.1

    Classifique como investimento, custo, despesa ou perda: (a) molde novo; (b) borra normal do forno; (c) comissão do representante; (d) lote de 5.000 peças destruído num incêndio; (e) níquel consumido no banho; (f) frete de entrega ao cliente.

  2. 1.2

    Um modelo aplica tributos de 18%, CPV de 70% e despesas de 20% sobre a receita bruta. Qual o EBITDA em percentual? Mantidos tributos e despesas, qual CPV daria EBITDA de 10% da receita bruta?

CAPÍTULO 02

Capítulo 2Comportamento dos custos e análise custo-volume-lucro

Na DRE ilustrativa, cada 10% a mais de vendas aumentam o EBITDA em 22%: a estrutura fixa amplifica o volume nos dois sentidos.

2.1Como os custos se comportam

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
ComportamentoDefiniçãoExemplo na fábrica
VariávelTotal proporcional ao volume; unitário constanteLiga, níquel, embalagem, comissão
FixoTotal constante na faixa relevante; unitário cai com o volumeAluguel, salários de gestão, depreciação linear
Semivariável (misto)Parcela fixa + parcela variávelEnergia elétrica: demanda contratada + consumo
Em degraus (semifixo)Fixo por faixas; salta ao mudar de faixaMOD por turno: abrir o 3º turno acrescenta uma equipe inteira

A faixa relevante é o intervalo de volume em que essas relações valem. Acima da capacidade de um turno, o “fixo” muda de patamar.

2.2Separar fixo e variável: o método máximo-mínimo

Use o mês de maior e o de menor atividade:

MODELO MATEMÁTICO
\[b = \frac{C_{max} - C_{min}}{Q_{max} - Q_{min}} \qquad a = C_{max} - b\,Q_{max} \qquad C = a + b\,Q\]

Exemplo hipotético: a conta de energia da fundição foi R$ 92.000 no mês de 600 mil peças e R$ 125.000 no de 900 mil.

Parte variável: (125.000 − 92.000) ÷ (900.000 − 600.000) = R$ 0,11 por peça.

Parte fixa: 92.000 − 600.000 × 0,11 = R$ 26.000 por mês.

O método é simples e sensível a meses atípicos. Com 12 meses ou mais, a regressão linear (mínimos quadrados) dá estimativa melhor e mostra a qualidade do ajuste (R²).

2.3Margem de contribuição

MODELO MATEMÁTICO
\[MC_{unit} = P - CV_{unit} \qquad MC\% = \frac{MC}{\text{receita}} \qquad \text{Resultado} = MC_{total} - CF\]

A margem de contribuição é o quanto cada venda contribui para pagar a estrutura fixa e gerar lucro. É a base de quase toda decisão de curto prazo.

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
Produto (planilha de controladoria)PreçoCusto variávelComissão 5%MCMC %
CadeadoR$ 50R$ 30R$ 2,50R$ 17,5035,0%
FechaduraR$ 80R$ 50R$ 4,00R$ 26,0032,5%
AcessórioR$ 20R$ 12R$ 1,00R$ 7,0035,0%

2.4Três pontos de equilíbrio

MODELO MATEMÁTICO
\[PE_{contábil} = \frac{CF + D}{MC\%} \qquad PE_{econômico} = \frac{CF + D + \text{lucro mínimo}}{MC\%} \qquad PE_{financeiro} = \frac{CF_{desembolsáveis} + \text{serviço da dívida}}{MC\%}\]

CF são os custos e despesas fixos desembolsáveis e D a depreciação. O econômico inclui a remuneração mínima do capital dos sócios; o financeiro olha só o caixa (Martins).

Exemplo: para aplicar CVL à DRE do Capítulo 1, adotamos uma divisão hipotética entre fixos e variáveis: 70% do CPV variável; comissões de 6% da receita líquida; logística variável; administração e o restante do comercial fixos.

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
LinhaR$/ano
Receita líquida8.200.000
Custos e despesas variáveis4.182.000
Margem de contribuição4.018.000 (49,0%)
Custos e despesas fixos desembolsáveis2.214.000
EBITDA1.804.000
DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
Ponto de equilíbrioCálculoReceita líquida
Financeiro (sem dívida)2.214.000 ÷ 0,49R$ 4,52 milhões
Contábil(2.214.000 + 246.000) ÷ 0,49R$ 5,02 milhões
Econômico (lucro mínimo de R$ 500 mil)(2.214.000 + 246.000 + 500.000) ÷ 0,49R$ 6,04 milhões

2.5Margem de segurança e alavancagem operacional

MODELO MATEMÁTICO
\[MS = \frac{\text{receita atual} - PE}{\text{receita atual}} \qquad GAO = \frac{MC_{total}}{\text{resultado}} = \frac{\Delta\%\,\text{resultado}}{\Delta\%\,\text{vendas}}\]

No exemplo, a margem de segurança sobre o ponto financeiro é 44,9%: as vendas podem cair quase metade antes de o EBITDA zerar. O grau de alavancagem operacional (GAO) é 4.018.000 ÷ 1.804.000 = 2,23. Vendas 10% maiores levam o EBITDA a R$ 2,21 milhões (+22,3%); 10% menores, a R$ 1,40 milhão.

O GAO é maior perto do ponto de equilíbrio. Fábricas com muita estrutura fixa (moldes, injetoras, linha galvânica) ganham muito com volume e sofrem muito com queda.

2.6Mais de um produto: o mix

Com vários produtos, o ponto de equilíbrio usa a MC% média ponderada pelo mix de receita. Se a receita se divide 40% cadeados, 40% fechaduras e 20% acessórios, a MC média é 0,4 × 35% + 0,4 × 32,5% + 0,2 × 35% = 34,0%. Vender mais fechaduras e menos cadeados, com a mesma receita, piora o resultado e eleva o ponto de equilíbrio.

Na fábricaCuidado com o “variável”

A MOD de injeção e de polimento é paga por turno: no curto prazo ela é fixa em degraus, não variável por peça. A hora extra, sim, é variável. Tratar MOD como variável faz o pedido marginal parecer pior do que é (Capítulo 7).

2.7Limites da análise CVL

A CVL supõe preço e custo variável unitário constantes, custos fixos constantes na faixa relevante, mix estável e produção igual às vendas. Quando o volume sai da faixa ou o mix muda muito, refaça a análise.

Resumo do capítulo
  • Custos se comportam como variáveis, fixos, mistos ou em degraus, sempre dentro de uma faixa relevante.
  • Máximo-mínimo separa fixo e variável de forma rápida; regressão, de forma mais confiável.
  • O ponto de equilíbrio tem três versões: contábil, econômico e financeiro.
  • Margem de segurança mede folga; GAO mede a sensibilidade do resultado ao volume.
  • O mix de vendas muda o ponto de equilíbrio.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 2.1

    Com custos fixos desembolsáveis de R$ 2.214.000 e MC de 45%, qual é o ponto de equilíbrio financeiro?

  2. 2.2

    Com GAO de 2,23, quanto varia o EBITDA se as vendas caírem 5%?

ESTRUTURA DO LIVRO

Parte II — Custeio do produto

CAPÍTULO 03

Capítulo 3Custeio por absorção e custeio variável

No mês em que a fábrica produz mais do que vende, o custeio por absorção mostra lucro maior que o variável: parte do custo fixo fica “guardada” no estoque. Quem não entende isso premia a superprodução.

3.1Os três componentes do custo de produção

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
ComponenteConteúdoNa maçaneta
Materiais diretos (MD)Matéria-prima e componentes identificáveis na peçaZamac, embalagem
Mão de obra direta (MOD)Trabalho medido no produtoOperador de injeção, polidor
Custos indiretos de fabricação (CIF)Tudo o mais que é fabrilEnergia, manutenção, ferramentaria, químicos do banho, supervisão, depreciação

MD + MOD formam o custo primário; MOD + CIF formam o custo de conversão — o que a fábrica agrega ao material.

3.2Custeio por absorção com departamentalização

No custeio por absorção, todo custo fabril vai para o produto. O caminho clássico tem três etapas:

Apropriar os CIF aos departamentos: produtivos (fundição, rebarbação, polimento, galvanoplastia) e de apoio (manutenção, ferramentaria, PCP, qualidade).

Redistribuir os departamentos de apoio aos produtivos, por bases que reflitam o consumo (horas de manutenção, ordens de ferramentaria).

Alocar dos produtivos aos produtos por uma base de atividade: horas-máquina na fundição, horas de MOD no polimento, m² ou carga de gancheira no banho.

Exemplo hipotético: a manutenção custa R$ 60.000/mês e atende fundição (60%), polimento (15%) e galvanoplastia (25%), medidos em horas de manutenção. A fundição recebe R$ 36.000, soma seus CIF próprios de R$ 84.000 e chega a R$ 120.000. Com 2.400 horas-máquina normais no mês, a taxa é R$ 50 por hora-máquina; uma peça que ocupa 0,002 h recebe R$ 0,10 de CIF da fundição.

A base de rateio importa. Ratear tudo por horas de MOD, num processo automatizado como a injeção, penaliza peças manuais e subsidia as automatizadas.

3.3Capacidade, taxa predeterminada e ociosidade

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
Conceito de capacidadeDefinição
Teórica100% do tempo, sem paradas
PráticaTeórica menos paradas inevitáveis (manutenção, setups, feriados)
NormalMédia esperada ao longo de vários períodos, considerando sazonalidade
RealO que de fato se produziu no período

O CPC 16 (R1) manda alocar o CIF fixo com base na capacidade normal. Se o volume real fica abaixo, a parcela não absorvida é despesa do período, não custo do estoque. Desperdícios anormais também não entram no estoque.

Na prática, a empresa usa uma taxa predeterminada de CIF (orçado ÷ base normal) ao longo do ano. No fechamento, a diferença entre CIF real e aplicado é a sub ou superabsorção, analisada no Capítulo 4.

Na fábricaCapacidade normal na fundição

A capacidade normal de uma injetora deve descontar trocas de molde, manutenção preventiva do molde e aquecimento. Usar a capacidade teórica faz toda parada aparecer como ociosidade e esconde o custo real do setup.

3.4Custeio variável e o efeito do estoque no lucro

No custeio variável, só os custos variáveis vão para o produto; os fixos são despesa do mês. Exemplo com a maçaneta num mês em que se produzem 100.000 peças e se vendem 80.000. Custo fabril variável de R$ 7,04 por peça; CIF fixo de R$ 40.000 (R$ 0,40 por peça na capacidade normal de 100.000); preço líquido R$ 15,54; comissão 6%; despesas fixas de R$ 15.000.

DADOS & REFERÊNCIAS8 linhas
Linha (R$)AbsorçãoVariável
Receita líquida (80.000 × 15,54)1.243.2001.243.200
Custo variável das peças vendidas(563.088)(563.088)
CIF fixo nas peças vendidas (80.000 × 0,40)(32.000)—
Comissões(74.592)(74.592)
CIF fixo do mês (despesa)—(40.000)
Despesas fixas(15.000)(15.000)
Resultado558.520550.520
Estoque final de 20.000 peças148.772140.772

A diferença de R$ 8.000 é exatamente o CIF fixo que ficou no estoque: 20.000 × R$ 0,40.

MODELO MATEMÁTICO
\[\Delta \text{Resultado}_{abs - var} = (\text{produção} - \text{vendas}) \times CIF_{fixo\;unit}\]

No mês em que o estoque baixa, a absorção mostra lucro menor. Um gestor avaliado pelo lucro por absorção pode melhorar o resultado produzindo para o estoque, o oposto do que o Lean pede (Capítulo 11).

3.5Custeio pleno (RKW)

O RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichkeit) rateia aos produtos todos os gastos, inclusive despesas comerciais e administrativas. Ainda aparece em formação de preço. O risco é o mesmo de qualquer rateio arbitrário, ampliado: custos que não variam com o produto passam a parecer causados por ele.

3.6Qual método para qual uso

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
UsoMétodo indicadoPor quê
Balanço, DRE societária, fiscoAbsorção (capacidade normal)Exigência legal (CPC 16)
Pedido especial, mix, fazer ou comprarVariável / custos relevantesIsola o que muda com a decisão
Controle da produçãoPadrão com análise de variaçõesMostra desvios e causas
Overhead e diversidade de produtosABC ou TDABCLiga apoio a quem o consome
Preço de longo prazoAbsorção ou pleno, conferido com custo-metaPrecisa cobrir toda a estrutura
Resumo do capítulo
  • Custo de produção = MD + MOD + CIF; o CIF chega ao produto por departamentos e bases de rateio.
  • Capacidade normal define o custo do estoque; ociosidade abaixo dela é despesa.
  • Absorção e variável diferem pelo CIF fixo que entra ou sai do estoque.
  • Cada método serve a um propósito; nenhum serve a todos.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 3.1

    No exemplo, se a fábrica produzisse 120.000 peças e vendesse 80.000 (com CIF fixo unitário de R$ 0,40), qual seria a diferença de resultado entre absorção e variável?

  2. 3.2

    Em que situação os dois métodos dão exatamente o mesmo resultado?

CAPÍTULO 04

Capítulo 4Custo-padrão, orçamento flexível e análise de variações

Num mês hipotético, a liga custou R$ 29.835 acima do padrão: 43% por preço de compra e 57% por consumo. São problemas de donos diferentes, e só a análise de variações os separa.

4.1Tipos de padrão

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
TipoDefiniçãoUso
IdealMelhor desempenho possível, sem perdasReferência de longo prazo; desmotiva como meta
Corrente (atingível)Desempenho eficiente nas condições atuais, com perdas normaisO mais indicado para controle e custeio
EstimadoMédia históricaPonto de partida quando não há estudo

O padrão corrente da maçaneta, por peça:

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
ItemQuantidade-padrãoPreço-padrãoCusto-padrão
Zamac (150 g + 2,5% de borra sobre 210 g fundidos)0,15525 kgR$ 25,00/kgR$ 3,881
MOD de polimento0,020 hR$ 45,00/hR$ 0,900
CIF fixo (capacidade normal 100.000 peças/mês)—R$ 40.000/mêsR$ 0,400

4.2Orçamento estático × flexível

O orçamento estático foi feito para o volume planejado. O flexível recalcula os custos-padrão para o volume real. Comparar o real com o estático mistura dois efeitos; o flexível os separa (Horngren, Datar e Rajan):

MODELO MATEMÁTICO
\[\underbrace{\text{Real} - \text{Estático}}_{\text{variação total}} = \underbrace{(\text{Real} - \text{Flexível})}_{\text{eficiência e preço}} + \underbrace{(\text{Flexível} - \text{Estático})}_{\text{volume}}\]

4.3Variações de material

MODELO MATEMÁTICO
\[V_{preço} = (P_{real} - P_{padrão}) \times Q_{real} \qquad V_{quantidade} = (Q_{real} - Q_{padrão\,permitida}) \times P_{padrão}\]

Exemplo hipotético: no mês, 100.000 peças boas consumiram 16.200 kg de zamac a R$ 25,80/kg. O consumo permitido é 100.000 × 0,15525 = 15.525 kg.

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
VariaçãoCálculoR$Sinal
Preço(25,80 − 25,00) × 16.20012.960Desfavorável
Quantidade(16.200 − 15.525) × 25,0016.875Desfavorável
Total16.200 × 25,80 − 15.525 × 25,0029.835Desfavorável

O preço é assunto de compras e do mercado de zinco; a quantidade é assunto da fundição: borra acima de 2,5%, canal não refundido, refugo. Em processos com várias ligas, a variação de quantidade ainda se divide em mix e rendimento.

4.4Variações de mão de obra direta

MODELO MATEMÁTICO
\[V_{taxa} = (T_{real} - T_{padrão}) \times H_{reais} \qquad V_{eficiência} = (H_{reais} - H_{padrão\,permitidas}) \times T_{padrão}\]

O polimento usou 2.150 h a R$ 46/h; o padrão para 100.000 peças é 2.000 h a R$ 45/h. Variação de taxa: (46 − 45) × 2.150 = R$ 2.150 D (reajuste, adicional, hora extra). Variação de eficiência: (2.150 − 2.000) × 45 = R$ 6.750 D (poros a corrigir, peças mais ásperas, operador novo).

4.5Variações de CIF

Para o CIF fixo, duas variações:

Gasto (orçamentária): real − orçado. Gastou R$ 41.000 contra R$ 40.000: R$ 1.000 D.

Volume: (capacidade normal − produção real) × taxa fixa. Produziu 90.000 em vez de 100.000: 10.000 × 0,40 = R$ 4.000 D. É a subabsorção por ociosidade, que vai para o resultado do mês (Capítulo 3).

Para o CIF variável, aplicam-se gasto e eficiência, como na MOD, usando a base de alocação (horas-máquina, por exemplo).

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
VariaçãoResponsável típicoPerguntas de causa
Preço de materialComprasCotação do zinco? Frete? Lote mínimo?
Quantidade de materialFundiçãoBorra? Temperatura do forno? Refugo?
Taxa de MODRH e produçãoHoras extras? Dissídio?
Eficiência de MODSupervisãoQualidade da peça injetada? Treinamento?
Gasto de CIFGestor da áreaManutenção corretiva? Energia?
Volume de CIFComercial e PCPDemanda? Paradas? Falta de material?
Na fábricaNão deixe o zinco esconder a fundição

O preço do zinco oscila com o mercado internacional. Se o custo-padrão não separa preço de consumo, uma queda da cotação pode mascarar um aumento de borra, e vice-versa. Reporte as duas variações todo mês.

4.6Quando o custo-padrão atrapalha

Padrões velhos. No caso de OEE do Capítulo 12, mais de 50% dos produtos tinham tempos de ciclo desatualizados. Variação contra padrão errado é ruído.

Variação favorável que esconde problema. Comprar liga mais barata e menos pura dá variação de preço favorável e piora quantidade e qualidade no polimento.

Incentivo a lotes grandes. Eficiência medida contra padrão premia produzir muito do mesmo item, contra o fluxo enxuto (Capítulo 11).

Resumo do capítulo
  • O padrão corrente, com perdas normais, é o melhor para controle.
  • Compare o real com o orçamento flexível para separar volume de eficiência.
  • Material, MOD e CIF têm variações de preço (ou gasto) e de quantidade (ou eficiência); o CIF fixo tem ainda a de volume.
  • Cada variação precisa de dono e de causa, não só de valor.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 4.1

    Em outro mês, 100.000 peças consumiram 15.400 kg de zamac a R$ 24,50/kg. Calcule as variações de preço e de quantidade.

  2. 4.2

    A variação de eficiência do polimento piorou no mesmo mês em que a de quantidade de zamac piorou. Que causa comum você investigaria primeiro?

CAPÍTULO 05

Capítulo 5Custeio baseado em atividades, TDABC e UEP

Rateados por volume, os custos de setup e liberação de lote dão R$ 0,015 por peça a todos os produtos. Medidos por atividade, dão R$ 0,003 ao item de alto volume e R$ 0,26 ao de baixo volume: este último estava sendo subsidiado.

5.1O problema: overhead que não varia com o volume

Quando o overhead era pequeno e os produtos parecidos, ratear por horas de MOD bastava. Hoje, engenharia, PCP, qualidade, ferramentaria e setups pesam muito, e quem os consome são os itens de baixo volume e alta complexidade. O rateio por volume transfere esse custo para os itens de alto volume (Kaplan e Cooper, Custo e Desempenho).

5.2A hierarquia de custos

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
NívelVaria comExemplos na fábrica de zamac
UnidadeCada peçaLiga, níquel, energia de fusão, embalagem
LoteCada lote ou ordemTroca de molde, aquecimento, liberação da primeira peça, troca de gancheira ou de banho
ProdutoA existência do item no portfólioManutenção do molde, ficha técnica, homologação com cliente, estoque de segurança
InstalaçãoA existência da fábricaAluguel, segurança, diretoria

Só os custos de nível unitário variam com a quantidade de peças. Rateá-los todos por peça é a origem da distorção.

5.3ABC em quatro passos

Dividir os centros de custo em atividades.

Custear cada atividade.

Escolher um direcionador por atividade (número de setups, de ordens, de inspeções).

Alocar aos produtos pela quantidade de direcionador que cada um consome.

O ABC tradicional pede entrevistas e percentuais de tempo de cada pessoa, o que o torna caro de manter e sujeito a viés (Custos Lean).

5.4TDABC: o ABC dirigido pelo tempo

Kaplan e Anderson (Time-Driven Activity-Based Costing, 2007) simplificaram o método para dois parâmetros:

MODELO MATEMÁTICO
\[\text{custo por minuto} = \frac{\text{custo da capacidade fornecida}}{\text{capacidade prática (min)}} \qquad \text{custo da atividade} = \text{minutos} \times \text{custo por minuto}\]

A capacidade prática costuma ficar em 80–85% do tempo pago, descontando pausas, treinamento e reuniões. Os minutos vêm de equações de tempo, que somam variações: por exemplo, setup = 90 min + 30 min se o molde tem gaveta + 15 min se a liga muda.

Exemplo hipotético: engenharia, PCP e qualidade somam 12 pessoas e R$ 180.000/mês. Capacidade prática: 12 × 160 h × 60 min × 80% = 92.160 min. Custo por minuto: R$ 1,953. Cada lote consome 90 min de setup, 30 min de liberação da primeira peça e 15 min de ordem de produção: 135 min = R$ 263,67.

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
Item A (alto volume)Item B (baixo volume)
Volume no mês400.000 peças20.000 peças
Lotes no mês420
Custo das atividades de loteR$ 1.055R$ 5.273
TDABC, por peçaR$ 0,0026R$ 0,2637
Rateio por volume, por peçaR$ 0,0151R$ 0,0151

Pelo rateio, o item A paga quase seis vezes o que consome e o B paga 6% do que consome. Um preço baseado no rateio torna o B artificialmente competitivo e o A artificialmente caro.

O TDABC também mostra a capacidade não utilizada: os 3.240 min dessas atividades são uma fração dos 92.160 disponíveis. O que não for usado por nenhuma atividade aparece como ociosidade, em vez de ser escondido no custo dos produtos.

5.5UEP: a unidade de esforço de produção

Método de origem francesa (Georges Perrin) e difundido no Brasil (Franz Allora). A ideia é converter todos os produtos numa unidade comum de “esforço”:

Dividir a fábrica em postos operativos homogêneos.

Calcular o custo por hora de cada posto (o foto-índice).

Escolher um produto-base e exprimir cada posto em UEP por hora, relativa a ele.

Somar as UEPs que cada produto consome em seu roteiro.

Custo do produto = UEPs × custo da UEP no mês.

A UEP unifica produções diversas num só indicador, mede eficiência e ociosidade e aloca bem o CIF de fábrica. As despesas administrativas continuam arbitrárias, e os índices precisam ser revistos quando o processo muda.

5.6Do custo à gestão: ABM

A gestão baseada em atividades (ABM) usa o mapa de atividades para agir: eliminar o que não agrega valor, reduzir o tempo do que é necessário e repensar o portfólio de itens de baixo volume. O SMED (troca rápida) é ABM puro: menos minutos de setup derrubam o custo de lote, sobretudo dos itens pequenos.

Na fábricaOs acabamentos especiais

Cromo acetinado, níquel escovado ou cores especiais de pintura geram trocas de banho, gancheiras dedicadas e liberações extras. São custos de lote e de produto. Rateados por peça, fazem o acabamento especial parecer tão barato quanto o padrão.

5.7Quando vale a pena

ABC ou TDABC compensam quando o overhead é grande, o portfólio é diverso, os volumes variam muito entre itens e há decisões de preço e de mix em jogo. Em fábrica de poucos produtos parecidos, o custeio por absorção bem departamentalizado basta.

Resumo do capítulo
  • Rateio por volume distorce quando o overhead é de lote, de produto ou de instalação.
  • A hierarquia de custos ajuda a escolher o direcionador certo.
  • O TDABC precisa só de custo por minuto e de equações de tempo, e revela capacidade ociosa.
  • A UEP unifica a produção numa unidade de esforço.
  • O valor do ABC está na ação (ABM), não no número.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 5.1

    Com SMED, o evento de lote cai de 135 para 90 minutos. Qual o novo custo de atividades de lote por peça do item B?

  2. 5.2

    Classifique na hierarquia de custos: (a) reaferição do molde após manutenção; (b) níquel depositado; (c) homologação de um item novo com o cliente; (d) seguro do prédio.

CAPÍTULO 06

Capítulo 6O custo da peça fundida em zamac

Numa peça de zamac cromada, metal e acabamento somam quase 90% do custo; a injeção pesa menos de 5%. O processo é barato; o que custa é o material e o que se faz com a peça depois.

6.1A economia do processo

Segundo o Manual de Fundição sob Pressão da Votorantim (baseado na IZA):

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
FatorZinco em câmara quenteAlternativas
Cadência, peças médias400–1.000 injeções/h; pequenas até 3.500/hAlumínio 100–250; magnésio 200–300; plástico 100–300
Energia por peçaReferênciaAlumínio ≥ 50% mais; magnésio ≥ 15% mais
Vida do molde750 mil a 2 milhões de injeçõesAlumínio ~250 mil; magnésio ~500 mil
Usinagem posteriorMínima (forma quase final)Maior em fundição por gravidade e usinagem de barra
SucataCanais e refugo voltam ao fornoTermofixos e estampados raramente se reciclam na fábrica

Frente ao latão, o zamac custa cerca de 30% menos e permite paredes finas, mas resiste menos à corrosão (Fuhr et al., Feevale). Por isso a peça decorativa de zamac quase sempre leva cobre, níquel e cromo ou pintura.

A NADCA (Product Design for Die Casting, cap. 2.4) compara a fundição sob pressão com os processos concorrentes:

DADOS & REFERÊNCIAS7 linhas
ConcorrenteVence quandoA fundição sob pressão vence quando
EstampagemPeça simples, uma só operaçãoHá várias estampagens, solda e montagem; a chapa perde muito no retalho
Usinagem de barraFerramental mínimo, peças de revoluçãoVolume alto; a barra pode aproveitar menos de 50%
Fundição por gravidadeFerrosos, alta temperaturaPrecisão elimina usinagem; volume dilui o molde
MicrofusãoVolumes muito baixosVolumes médios e altos
ExtrusãoSeção constanteHá furos, rasgos e mudanças de seção
Plástico injetadoPeça decorativa leveRigidez, resistência, rosca sem inserto
Metalurgia do póFerrosos, desgastePeças maiores e mais leves

6.2Os quatro blocos de custo

Material. Preço líquido por volume × volume da peça. O preço líquido reúne cinco fatores: compra por kg, energia e manuseio para fundir, custo de refundir a sucata interna, valor da sucata vendida e sucata de usinagem. Canais, bucha e overflows voltam quase 100% ao forno; a refusão acrescenta tipicamente 5–10% ao custo do material (NADCA, cap. 2.3).

Processamento. Máquina e mão de obra. O custo por peça sobe com o tamanho da injetora; o ciclo depende da seção mais grossa e dos movimentos de gavetas.

Ferramental. Molde ÷ vida esperada + manutenção. A vida de um molde de zinco vai de 600 mil a 2 milhões de ciclos conforme velocidades de ataque, desmoldante, controle térmico e pré-aquecimento (Frech). A ferramenta de rebarbação soma 15–20% do valor do molde.

Pós-processamento. Rebarbação, usinagem, impregnação e acabamento. Em ferragens decorativas, o maior bloco depois do metal.

6.3O modelo da maçaneta

DADOS & REFERÊNCIAS13 linhas
PremissaValorOrigem
Massa da peça150 gHipótese
Canal, bucha e overflow por peça60 g (rendimento metálico 71,4%)Hipótese
Preço do zamacR$ 25/kgPlanilha de controladoria
Perda de liga no forno2,5% do metal fundidoFaixa interna 1,5–4%
Custo de refusão do retornoR$ 1,875 por kg retornadoHipótese
Taxa da célula (máquina + operador + energia)R$ 150/hHipótese
Cadência500 golpes/h, 2 cavidadesVotorantim: 400–1.000
OEE75%Plano industrial
MoldeR$ 120.000, 1 milhão de golpesVotorantim: 750 mil–2 milhões
Manutenção do molde40% do valor na vida útilHipótese
Ferramenta de rebarbação18% do moldeNADCA: 15–20%
Rebarbação / polimento / Cu-Ni-CrR$ 0,15 / 0,90 / 1,60Hipótese
CIF fixo na capacidade normalR$ 0,40Hipótese
DADOS & REFERÊNCIAS13 linhas
ItemR$/peça%
Metal contido (0,150 kg × 25)3,75050,4%
Perda de liga (0,210 kg × 2,5% × 25)0,1311,8%
Refusão do retorno (0,060 kg × 1,875)0,1131,5%
Injeção: 150 ÷ (500 × 2 × 0,75)0,2002,7%
Amortização do molde: 120.000 ÷ 2 milhões de peças0,0600,8%
Manutenção do molde0,0240,3%
Ferramenta de rebarbação0,0110,1%
Rebarbação0,1502,0%
Lixamento e polimento0,90012,1%
Galvanoplastia Cu/Ni/Cr1,60021,5%
Embalagem0,1001,3%
CIF fixo rateado0,4005,4%
Custo fabril unitário, sem perdas de qualidade7,439100%

Agrupando: metal 53,7%, acabamento 35,6%, CIF 5,4%, injeção e ferramental 4,0%, embalagem 1,3%.

O zinco é a maior alavanca isolada. Cada R$ 1/kg muda o custo em cerca de R$ 0,16 por peça. Contratos de liga indexados à cotação internacional do zinco, com repasse ao preço de venda, protegem a margem.

A injeção é barata por peça, mas define a capacidade (Capítulo 12).

O acabamento concentra o valor agregado e, por isso, o custo das perdas (Capítulo 10).

6.4Do custo sem perdas ao custo por peça boa

Cada etapa rejeita parte das peças, e as boas carregam o custo das perdidas:

MODELO MATEMÁTICO
\[C_{boa} = \sum_{i} \frac{c_i}{\prod_{j \ge i} Y_j}\]

cᵢ é o custo agregado na etapa i e Yⱼ o rendimento de primeira passagem de cada etapa dali em diante. Com rebarbação 99%, polimento 96% e galvanoplastia 92% (o refugo da injeção já está no OEE), a maçaneta custa R$ 8,39 por peça boa, 12,8% acima do custo sem perdas. É esse o custo que deve ir ao preço (Capítulo 8).

6.5Refugo projetado e não projetado

Bar-Meir (Fundamentals of Die Casting Design) define refugo como todo metal que não virou produto e separa dois tipos:

DADOS & REFERÊNCIAS2 linhas
TipoExemploO que fazer
ProjetadoCanal, bucha, overflows, saídas de ar (60 g por maçaneta)Minimizar: o menor sistema de alimentação na menor máquina que dê qualidade
Não projetadoPeças rejeitadas por porosidade, junta fria, falhaEliminar

As metas às vezes andam juntas: uma saída de ar dimensionada logo acima do ponto crítico expulsa o ar com o menor volume possível. Outras vezes conflitam: cortar canal demais gera porosidade (Volume 04).

6.6Custo por projeto, não por peso

Duas peças de 150 g podem custar diferente:

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
Item variável (R$/peça)Peça A: retorno 60 g, 500 golpes/hPeça B: retorno 150 g, gaveta, 350 golpes/h
Refusão do retorno0,1130,281
Perda de liga no forno0,1310,188
Injeção0,2000,286
Soma0,4440,754

A peça B custa R$ 0,31 a mais (4,2% do custo total), sem contar o molde mais caro. Cotada por peso, é subsidiada pela A. Bar-Meir recomenda precificar pelo custo real de projeto e produção e comparar, ao fim de cada projeto, o custo real com o orçado.

Na fábricaO ferramental é investimento

O molde pesa cerca de 1% do custo da maçaneta. Economizar no seu projeto raramente compensa: um molde mal resolvido gera porosidade, retrabalho de polimento e refugo na galvanoplastia, que custam dezenas de vezes mais. A erosão do aço se concentra onde a velocidade do metal é alta, há mudança brusca de direção ou falta refrigeração (NADCA).

Resumo do capítulo
  • O zinco vence em cadência, energia e vida de molde; perde em corrosão, o que encarece o acabamento.
  • O custo da peça fundida tem quatro blocos: material, processamento, ferramental e pós-processamento.
  • Na maçaneta, metal e acabamento são quase 90% do custo.
  • O custo relevante é o por peça boa: R$ 8,39 contra R$ 7,44 sem perdas.
  • Retorno projetado se minimiza; refugo não projetado se elimina; preço por peso esconde as diferenças de projeto.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 6.1

    Se o zamac subir para R$ 27/kg, qual o novo custo sem perdas da maçaneta?

  2. 6.2

    Quanto cai o custo sem perdas se o retorno de canal baixar de 60 g para 45 g por peça?

ESTRUTURA DO LIVRO

Parte III — Decisões

CAPÍTULO 07

Capítulo 7Custos relevantes para decisão

Avaliado pelo custo cheio, um bom pedido pode ser recusado: a R$ 8,00, a maçaneta parece dar prejuízo contra o custo de R$ 8,39, mas ainda contribui com R$ 0,07 por peça. A decisão certa depende de olhar só o que muda.

7.1O que é relevante

Um custo é relevante quando é futuro e diferente entre as alternativas (Horngren, Datar e Rajan).

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
ConceitoDefiniçãoExemplo
Custo afundadoJá incorrido; nenhuma decisão o mudaO molde antigo, já pago
Custo de oportunidadeO que se deixa de ganhar na melhor alternativaA margem de outro item que usaria a mesma injetora
Custo evitávelDesaparece se a alternativa for escolhidaQuímicos do banho, se a galvanoplastia for terceirizada
Custo inevitávelContinua de qualquer formaAluguel do galpão da galvanoplastia

7.2Pedido especial

Um cliente oferece comprar 100.000 maçanetas a R$ 11,00 líquidos, sem comissão, fora do mercado habitual. Há capacidade ociosa na injeção, no polimento e no banho.

DADOS & REFERÊNCIAS2 linhas
Base de análiseCusto por peça boaResultado por peçaTotal
Custo cheio (com CIF fixo)R$ 8,39R$ 2,61Superestima o custo em R$ 0,46 por peça
Custo variável relevante (sem CIF fixo, com perdas)R$ 7,93R$ 3,07+R$ 307 mil

O CIF fixo de R$ 0,40 já é pago com ou sem o pedido; não é relevante. Se o preço oferecido fosse R$ 8,00, o custo cheio mandaria recusar, e o pedido ainda acrescentaria R$ 0,07 por peça ao resultado.

Condições para aceitar: capacidade ociosa de verdade em todo o fluxo; nenhum custo fixo novo; nenhum efeito sobre o preço dos clientes regulares; pedido que não se repita como preço de referência. Se a MOD for paga por turno e houver gente ociosa, até parte dela sai do custo relevante; se o pedido exigir hora extra, o adicional entra.

7.3Fazer ou comprar

Um galvanizador oferece fazer o Cu/Ni/Cr por R$ 1,45 por peça. O custo interno é R$ 1,60, dos quais R$ 0,45 são fixos que continuariam mesmo terceirizando (prédio, estação de tratamento já instalada, supervisão compartilhada).

DADOS & REFERÊNCIAS2 linhas
AlternativaCusto relevante por peça
Fazer: 1,60 − 0,45 inevitáveisR$ 1,15
ComprarR$ 1,45

Pelos números, manter interno economiza R$ 0,30 por peça. A conta muda se a área liberada tiver uso melhor (custo de oportunidade) ou se os R$ 0,45 se tornarem evitáveis no médio prazo. Fatores qualitativos pesam tanto quanto: controle de qualidade da camada, lead time e transporte de peças polidas, dependência de fornecedor, conhecimento do processo e gestão de efluentes e riscos ambientais.

7.4Descontinuar um produto ou linha

Uma linha que dá “prejuízo” após o rateio pode estar pagando parte da estrutura. A regra:

MODELO MATEMÁTICO
\[\text{descontinuar se} \quad MC_{perdida} < CF_{evitáveis} + \text{ganho do uso alternativo da capacidade}\]

Se a linha tem MC positiva e seus fixos não desaparecem, eliminá-la piora o resultado: os fixos são redistribuídos aos outros produtos.

7.5Recurso restrito: decidir pela margem por unidade do gargalo

Quando a capacidade limita, a pergunta deixa de ser “qual produto tem maior margem?” e passa a ser “qual produto gera mais margem por minuto do gargalo?”. Exemplo de Custos Lean: dois produtos passam por dois recursos com 2.400 min/semana cada; o custo operacional é R$ 10.500/semana.

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
Produto XProduto Y
Demanda semanal120120
Preço − matéria-prima105 − 45 = R$ 60100 − 50 = R$ 50
Tempo no recurso A2 min10 min
Tempo no recurso B15 min10 min
Margem por minuto de BR$ 4,00R$ 5,00

Atender toda a demanda exigiria 3.000 min de B (125%): B é o gargalo.

DADOS & REFERÊNCIAS2 linhas
CritérioMixResultado semanal
Maior margem por unidade (X primeiro)120 X + 60 Y−R$ 300
Maior margem por minuto do gargalo (Y primeiro)80 X + 120 Y+R$ 300

Corolário: investir R$ 100 para reduzir o tempo de Y no recurso A (que não é gargalo) não vende nenhuma peça a mais; só acrescenta depreciação. Uma hora ganha no gargalo é uma hora ganha na fábrica; uma hora ganha fora dele é uma miragem (Goldratt, A Meta).

7.6O custo afundado não decide

Um molde antigo de R$ 120.000, ainda não depreciado, gera 4% de refugo; um novo eliminaria o refugo. O valor contábil remanescente do molde antigo é irrelevante: já foi gasto. A decisão compara o investimento no molde novo com a economia futura de refugo, manutenção e capacidade (Capítulo 9).

Na fábricaLotes de reposição

Pedidos pequenos de peças de reposição costumam parecer lucrativos no custo médio e não são: carregam setup de molde, troca de banho e liberação de lote. Use o custo de lote do TDABC (Capítulo 5) como custo relevante.

7.7Armadilhas

Usar custo unitário com fixo rateado como se fosse variável.

Tratar MOD como variável quando é fixa no curto prazo, ou o contrário.

Esquecer o gargalo: aceitar um pedido que tira capacidade de produtos mais rentáveis por minuto.

Ignorar efeitos de longo prazo: o preço especial vira referência para o mercado.

Decidir só por números quando qualidade, risco e estratégia mudam a resposta.

Resumo do capítulo
  • Relevante é o que é futuro e muda entre as alternativas; o afundado não conta.
  • Pedido especial com capacidade ociosa se avalia pela margem de contribuição.
  • Fazer ou comprar compara o custo evitável interno com o preço externo, mais o custo de oportunidade.
  • Com gargalo, prioriza-se a margem por minuto do recurso restrito.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 7.1

    No pedido especial, qual o efeito no resultado se o preço oferecido for R$ 9,50? E R$ 7,50?

  2. 7.2

    Na decisão de fazer ou comprar a galvanoplastia, o que muda se os R$ 0,45 de fixos se tornarem evitáveis?

CAPÍTULO 08

Capítulo 8Formação de preço

O preço se monta de dentro para fora — custo, margem, tributos por dentro, substituição tributária por fora — e se confere de fora para dentro, contra o que o mercado paga. Precificar a maçaneta pelo custo sem perdas deixa o preço 11% abaixo do necessário.

8.1Três lógicas de preço

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
LógicaPerguntaUso
CustoQuanto preciso cobrar para cobrir custo e margem?Piso de preço; produtos sob encomenda
MercadoQuanto a concorrência cobra?Itens de catálogo, com referência clara
ValorQuanto o cliente aceita pagar pelo que recebe?Design, acabamento especial, marca, serviço

As três convivem: o custo define o piso, o mercado e o valor definem o teto. Abaixo do custo variável relevante (Capítulo 7), não há pedido que se justifique; abaixo do custo cheio por peça boa, não há preço que se sustente no longo prazo.

8.2Margem sobre venda × markup sobre custo

MODELO MATEMÁTICO
\[P = \frac{C}{1 - m} \qquad \text{markup} = \frac{P}{C} = \frac{1}{1-m}\]
DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
Margem sobre o preçoMarkup sobre o custoPreço de custo R$ 30
20%1,250R$ 37,50
30%1,429R$ 42,86
40%1,667R$ 50,00
50%2,000R$ 60,00

A armadilha: “por 40% em cima do custo” (markup 1,40) entrega margem de 28,6% sobre o preço.

8.3O divisor

Margem de contribuição, comissão e tributos por dentro são percentuais do preço: entram somados no mesmo divisor, nunca em divisões encadeadas. Custo R$ 30, MC de 40% e comissão de 6%, ambas sobre a receita líquida:

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
CálculoResultado
Preço líquido = 30 ÷ (1 − 0,40 − 0,06)R$ 55,56
Comissão = 55,56 × 6%R$ 3,33
Contribuição = 55,56 − 30,00 − 3,33R$ 22,22 (40,0%)

A base da comissão segue o contrato do representante; ajuste o divisor se for outra.

8.4Tributos em três camadas

MODELO MATEMÁTICO
\[P_{liq} = \frac{C}{1 - MC - com} \qquad P_{NF} = \frac{P_{liq}}{1 - (ICMS + PIS + COFINS)} \qquad ST = P_{NF}\,(1 + MVA)\,a_{int} - ICMS_{próprio}\]

Camada 1 — preço líquido: o que a fábrica precisa receber.

Camada 2 — tributos por dentro: ICMS próprio, PIS e COFINS integram o preço da nota.

Camada 3 — ST por fora: a substituição tributária é recolhida pela indústria em nome da cadeia; não é receita dela.

Com as alíquotas da planilha formacao_preco_industrial_ferragens (SP → MG: ICMS 12%, interna 18%, MVA 45%, PIS 0,65%, COFINS 3% no presumido; valores não validados; IPI omitido):

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
LinhaValor
Preço líquidoR$ 55,56
Preço da nota = 55,56 ÷ (1 − 0,1565)R$ 65,86
ICMS próprio (12%)R$ 7,90
PIS + COFINSR$ 2,41
ICMS-ST = 65,86 × 1,45 × 18% − 7,90R$ 9,29
Total da notaR$ 75,15

Prova: 65,86 − 7,90 − 0,43 − 1,98 = R$ 55,56.

Reforma tributária. Pela EC 132/2023 e a LC 214/2025, CBS e IBS substituem PIS, COFINS, ICMS e ISS: 2026 é ano de teste, a CBS entra plena em 2027 e o ICMS se extingue até 2033. A lógica de camadas continua; alíquotas, bases e créditos mudam. Revise a parametrização com a contabilidade a cada etapa.

8.5Auditoria da planilha de preço de ferragens

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
Etapa da planilhaFórmulaResultado
Preço líquido indústria30 ÷ (1 − 0,40)R$ 50,00
Preço com comissão50,00 ÷ (1 − 0,06)R$ 53,19
ICMS total destino53,19 × 1,45 × 18%R$ 13,88
Preço com ICMS53,19 + 13,88R$ 67,07
Preço indústria final67,07 ÷ (1 − 0,0365)R$ 69,62
Preço ao distribuidor69,62 ÷ (1 − 0,30)R$ 99,45

Três problemas: (1) divisores encadeados derrubam a margem efetiva para 37,6%; (2) o ICMS cheio de destino é somado ao preço, misturando ICMS próprio e ST; (3) PIS e COFINS incidem sobre um total que já contém a ST. Corrija com a estrutura da seção 8.4.

8.6O preço da maçaneta: use o custo por peça boa

DADOS & REFERÊNCIAS2 linhas
Base de custoCustoPreço líquido (MC 40%, comissão 6%)
Sem perdas (Capítulo 6)R$ 7,44R$ 13,78
Por peça boa (Capítulo 6)R$ 8,39R$ 15,54

Precificar sem as perdas deixa o preço 11% abaixo do necessário; a margem planejada de 40% vira cerca de 33%.

8.7Custo-meta e engenharia de valor

MODELO MATEMÁTICO
\[\text{custo-meta} = \text{preço de mercado} - \text{margem desejada}\]

O custo-meta parte do preço que o cliente aceita e devolve à engenharia o custo que ela precisa atingir antes do lançamento (Cooper e Slagmulder, Target Costing and Value Engineering). Princípios: custo guiado pelo preço, foco no cliente, custo decidido no projeto, equipe multifuncional, visão do ciclo de vida e da cadeia de fornecedores.

Exemplo: o mercado paga R$ 14,00 líquidos pela maçaneta. Com MC de 40% e comissão de 6%, o custo-meta é 14,00 × 0,54 = R$ 7,56. O custo atual por peça boa é R$ 8,39: faltam R$ 0,83 (10%). A engenharia de valor examina cada função da peça e pergunta se pode ser entregue mais barato: parede mais fina com nervura, linha de partição plana, menos gavetas, camada de níquel na espessura certa, menos área a polir.

8.8Custeio kaizen: reduzir depois do lançamento

O custo-meta atua no projeto; o custeio kaizen atua na produção. Em vez de manter um padrão, define uma meta de redução periódica por item ou célula — por exemplo, 3% ao ano — alcançada por melhorias contínuas (Monden, Cost Reduction Systems). É a ponte entre este volume e os Volumes 08 a 10.

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
Custo-padrãoCusto-metaCusteio kaizen
FaseProduçãoProjetoProdução
ObjetivoManter o padrão e explicar desviosAtingir o custo que o mercado permiteReduzir continuamente
PerguntaPor que saímos do padrão?Como projetar para esse custo?Quanto reduzimos este período?
Na fábricaO preço e o zinco

Como o metal é metade do custo, contratos de venda com cláusula de reajuste pela cotação do zinco protegem a margem melhor do que qualquer ganho de produtividade. Sem a cláusula, uma alta de R$ 2/kg consome cerca de R$ 0,32 por peça, mais de 2% do preço.

Resumo do capítulo
  • Custo dá o piso; mercado e valor dão o teto.
  • Margem e markup não são a mesma coisa; percentuais do preço entram juntos no divisor.
  • Tributos vêm em camadas: por dentro no preço, ST por fora.
  • O custo que vai ao preço é o por peça boa.
  • Custo-meta reduz no projeto; custeio kaizen reduz na produção.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 8.1

    Qual markup corresponde a margem de 35%? Qual o preço líquido da maçaneta (custo por peça boa R$ 8,39) com MC de 35% e comissão de 6%?

  2. 8.2

    Se o mercado pagar R$ 13,50 líquidos e a empresa mantiver MC de 40% e comissão de 6%, qual o custo-meta e a distância para o custo atual?

CAPÍTULO 09

Capítulo 9Decisões de investimento

Uma célula de polimento automatizada de R$ 900 mil cria R$ 374 mil de valor a uma taxa de 15% ao ano — mas só se o volume ficar acima de 881 mil peças por ano. O método importa menos que as premissas.

9.1O fluxo de caixa incremental

Só entra o que muda com o projeto (Capítulo 7):

Investimento inicial: equipamento, instalação, treinamento, capital de giro adicional.

Fluxos operacionais: economias de custo ou margem de contribuição adicional, menos novos custos (manutenção, energia, licenças).

Tributos: a depreciação não é caixa, mas reduz o IRPJ/CSLL no lucro real; esse escudo fiscal é fluxo do projeto.

Valor residual: venda do equipamento e recuperação do capital de giro no fim.

A taxa de desconto é a taxa mínima de atratividade (TMA), em geral o custo médio ponderado de capital da empresa mais um prêmio pelo risco do projeto (Brealey, Myers e Allen, Princípios de Finanças Corporativas).

9.2Os métodos

MODELO MATEMÁTICO
\[VPL = -I_0 + \sum_{t=1}^{n} \frac{FC_t}{(1+i)^t} \qquad 0 = -I_0 + \sum_{t=1}^{n} \frac{FC_t}{(1+TIR)^t}\]
DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
MétodoO que medeRegraLimitação
Payback simplesAnos para recuperar o investimentoMenor que o limite da empresaIgnora o valor do dinheiro no tempo e o que vem depois
Payback descontadoIdem, com fluxos descontadosMenor que o limiteIgnora o que vem depois
VPLValor criado em reais de hojeVPL > 0Depende da TMA escolhida
TIRTaxa que zera o VPLTIR > TMAEngana ao comparar projetos de escalas diferentes

Na dúvida entre métodos, decida pelo VPL.

9.3Exemplo: automatizar o polimento

Premissas hipotéticas: investimento de R$ 900.000; o custo de polimento cai de R$ 0,90 para R$ 0,55 por peça em 1,2 milhão de peças por ano (R$ 420.000); manutenção adicional de R$ 40.000/ano; fluxo líquido de R$ 380.000/ano por 5 anos; sem valor residual; TMA de 15%; análise antes de impostos.

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
AnoFluxoFluxo descontado a 15%Acumulado descontado
0−900.000−900.000−900.000
1380.000330.435−569.565
2380.000287.335−282.231
3380.000249.856−32.374
4380.000217.266+184.892
5380.000188.927+373.819
DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
IndicadorResultado
VPL a 15%R$ 373.819
TIR31,5% ao ano
Payback simples2,37 anos
Payback descontado3,15 anos

Sensibilidade. Se o volume cair 20% (960 mil peças), o fluxo cai para R$ 296.000 e o VPL para R$ 92.238. O VPL zera com 881 mil peças por ano. A pergunta-chave não é “a TIR é alta?”, é “quão firme é o volume?”.

9.4Investimento e gargalo

Um investimento que acelera um recurso não restritivo não vende peça nenhuma a mais (Capítulo 7). Ele só cria valor por economia de custo que sai de fato do caixa. Se o polimento for o gargalo, a célula automatizada também libera capacidade vendável e o fluxo deve incluir a margem das peças extras.

Na fábricaInvestimentos típicos da fundição

Molde novo × reforma (o valor contábil do molde antigo é afundado); sistema de vácuo para reduzir porosidade; termorreguladores e spray integrado, que podem levar a vida do molde de zinco de 600 mil para até 2 milhões de ciclos (Frech); automação de extração; estação de tratamento de efluentes, obrigatória, cujo VPL se mede contra o custo de não cumprir a lei.

9.5Armadilhas

Ganhos de produtividade que não saem do caixa (horas liberadas sem destino).

Esquecer capital de giro, treinamento, curva de aprendizado e paradas de partida.

Usar o valor contábil de ativos antigos na decisão (custo afundado).

Comparar projetos pela TIR quando os tamanhos são diferentes.

Contar a mesma economia em dois projetos.

Resumo do capítulo
  • Só entram fluxos incrementais, incluindo escudo fiscal e capital de giro.
  • VPL é o critério principal; TIR e payback complementam.
  • Teste o volume e as economias: a sensibilidade decide mais que a taxa.
  • Investimento fora do gargalo só vale pela economia de caixa.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 9.1

    Recalcule o VPL da célula de polimento com TMA de 20%.

  2. 9.2

    Qual o volume anual mínimo que mantém o VPL não negativo a 15%?

ESTRUTURA DO LIVRO

Parte IV — Desempenho e melhoria

CAPÍTULO 10

Capítulo 10Custo da qualidade

Na maçaneta, refugo e retrabalho elevam o custo de R$ 7,44 para R$ 8,39 por peça boa: R$ 950 mil por ano a cada milhão de peças. Uma peça perdida na galvanoplastia custa seis vezes mais que uma perdida na injetora.

10.1De onde vem o conceito

Feigenbaum organizou os custos da qualidade em prevenção, avaliação e falhas (modelo PAF); Juran os popularizou como “ouro na mina”; Crosby resumiu em Quality Is Free (1979): a qualidade é de graça, o que custa é o preço da não conformidade. O Juran Institute define o custo da má qualidade como os custos que desapareceriam se toda tarefa fosse feita sem deficiência:

MODELO MATEMÁTICO
\[COPQ = \text{custo real} - \text{custo mínimo}\]

Gerentes e operadores falam a língua das coisas; a alta direção fala a língua do dinheiro. O COPQ traduz uma na outra.

10.2As quatro categorias

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
CategoriaNaturezaExemplos numa fábrica de zamac
PrevençãoCusto de obter qualidadePlanejamento da qualidade, treinamento, estudos de capabilidade, manutenção preventiva de moldes, qualificação de fornecedor de liga, revisão de projeto com o fundidor
AvaliaçãoCusto de obter qualidadeInspeção pós-polimento, névoa salina, medição de camada, análise de banho, auditorias
Falha internaCusto da má qualidadeRefugo, retrabalho de lixamento, reinspeção, remoção de camada, horas extras para repor, paradas
Falha externaCusto da má qualidadeDevoluções, reclamações, garantia, frete de reposição, abatimentos, vendas perdidas

O modelo clássico supunha um “ótimo” em que mais prevenção deixaria de compensar. A visão moderna, apoiada nos resultados de Seis Sigma e Lean, é que o custo total continua caindo até muito perto do defeito zero: a prevenção quase sempre se paga.

10.3O iceberg

A primeira medição costuma enxergar só refugo, retrabalho, inspeção e devoluções: 4% a 5% das vendas. Abaixo da linha d’água ficam horas extras excessivas, frete expresso, estoque em excesso, capacidade ociosa, atrasos de planejamento, erros de faturamento, rotatividade e tempo com cliente insatisfeito. Com elas, o COPQ chega a 15–25% das vendas (Juran Institute).

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
Nível sigmaCOPQ típico (% das vendas)
2 sigma30–40%
3 sigma20–30%
4 sigma15–20%
5 sigma10–15%
6 sigma< 10%

A distribuição comum dos gastos é a do incêndio: falhas internas 25–40% do total, externas 25–40%, avaliação 10–50% e prevenção 0,05–5%.

10.4A fábrica escondida e o RTY

O rendimento final conta as peças boas no fim, depois de todo retrabalho, e esconde a fábrica que conserta peças no caminho. O RTY (rolled throughput yield) conta só o que passou por todas as etapas sem refugo nem retrabalho (Werkema, Criando a Cultura Lean Seis Sigma, cap. 7):

MODELO MATEMÁTICO
\[RTY = Y_1 \times Y_2 \times \dots \times Y_n\]

Trinta etapas com 95,5% cada dão RTY de 25%: só uma em quatro peças atravessa o processo sem passar pela fábrica escondida. Na maçaneta, com rebarbação 99%, polimento 96% e galvanoplastia 92%, o RTY pós-injeção é 87,4%. As planilhas internas usam 85–95% de aprovação de primeira na galvanoplastia e 10–25% de peças com retrabalho estético como faixas de referência.

10.5Quanto custa perder a peça em cada etapa

Antes do banho, o metal da peça rejeitada volta ao forno (menos a refusão); depois de cobre, níquel e cromo, em geral não volta direto ao forno junto com a liga limpa.

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
Onde a peça é rejeitadaCusto acumuladoMetal recuperadoPerda líquida
InjetoraR$ 4,69simR$ 1,22
RebarbaçãoR$ 4,84simR$ 1,37
PolimentoR$ 5,74simR$ 2,27
GalvanoplastiaR$ 7,34não (hipótese conservadora)R$ 7,34

Inspecionar cedo vale dinheiro: achar o poro na injeção ou no polimento custa um terço do que achá-lo depois do cromo. O indicador interno de taxa de porosidade (referência 0,5–2%, detectada após lixamento) existe por isso.

10.6O tamanho do prêmio

Andresen (Die Casting Engineering, cap. 10) cita a máxima de que “uma redução de 5% no refugo dobra o lucro de uma fundição sob pressão” e estima a taxa típica de defeitos do processo em 5.000 a 10.000 ppm, longe dos 3,4 ppm do Seis Sigma. A máxima depende da margem: na DRE do Capítulo 1, cortar refugo equivalente a 5% do CPV poupa R$ 246 mil, ou +3,0 pontos de EBITDA, de 22% para 25%. O lucro só dobraria com margem de partida de cerca de 3%.

10.7Métricas e seus limites

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
BaseMétricaLeitura
Defeituososp (proporção de defeituosos), rendimento finalUma peça com 1 ou 100 defeitos conta igual
DefeitosDPU, DPO, DPMO, escala sigmaConta cada defeito; compara processos de complexidade diferente
DinheiroCOPQA única que entra direto na DRE

Werkema desaconselha a escala sigma para acompanhar o programa: o número de “oportunidades de defeito” é subjetivo e manipulável. Todo resultado de melhoria deve ser expresso em reais.

10.8Função de perda de Taguchi

Para Taguchi, a qualidade é “atingir o alvo com a menor variabilidade possível”; a perda cresce com o quadrado do desvio, mesmo dentro da especificação (Ribeiro e ten Caten, Controle Estatístico do Processo, UFRGS, cap. 4):

MODELO MATEMÁTICO
\[L_i = k\,(y_i - m)^2 \qquad k = \frac{A_0}{\Delta_0^2} \qquad \bar{L} = k\left[(\bar{y} - m)^2 + s^2\right] \qquad Q = \frac{\bar{y} - m}{s}\]

A₀ é o custo de reparo ou substituição quando o desvio chega a Δ₀. A perda de um lote tem duas parcelas: desvio da média (fácil de corrigir) e dispersão (exige agir no sistema). Q > 1 pede centrar o processo; Q perto de zero pede reduzir variabilidade.

Exemplo do livro (pintura em túnel): alvo 0,40 mm, k = R$ 300/mm², dez medições entre 0,25 e 0,60 mm. Média 0,428 mm, desvio-padrão 0,111 mm, perda média R$ 3,95 por peça: R$ 0,24 (6%) por desvio da meta e R$ 3,72 (94%) por dispersão; Q = 0,25. O processo está centrado; o dinheiro está na dispersão. O mesmo vale para espessura de níquel, dimensão crítica de uma fechadura ou massa por golpe.

10.9Montando o relatório de COPQ

Identificar e quantificar os custos nas quatro categorias, linha a linha do plano de contas.

Expor a fábrica escondida: retrabalho, reinspeção, horas extras e fretes ligados a falhas.

Converter em reais com o custo acumulado da etapa onde a falha é detectada.

Medir sempre igual: mesma regra, janela e dono.

Priorizar por Pareto em reais.

Contar cada ganho uma vez só: o plano industrial prevê COPQ −10%, −20% e −30% por fase, e esse ganho não pode ser somado de novo como OEE ou horas extras.

Na fábricaOnde o COPQ do zamac se esconde

Peças “salvas” por lixamento extra, desplacamento de camada descoberto no cliente, banhos recarregados por arraste de contaminantes, lotes refeitos por mancha. Nenhum aparece como “refugo” na DRE; todos são COPQ.

Resumo do capítulo
  • PAF: prevenção e avaliação compram qualidade; falhas internas e externas são o preço da não conformidade.
  • O COPQ oculto é muito maior que o visível.
  • RTY revela a fábrica escondida; o custo da falha cresce a cada etapa.
  • Taguchi mostra perda dentro da tolerância e separa desvio de dispersão.
  • COPQ só vale se for medido em reais, sempre do mesmo jeito.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 10.1

    Um processo tem três etapas com rendimentos de primeira de 98%, 97% e 95%. Qual o RTY?

  2. 10.2

    Uma bateria deve fornecer 12 V; um desvio de 2 V exige reparo de R$ 25. Calcule k e a perda de uma unidade que fornece 11 V.

CAPÍTULO 11

Capítulo 11Contabilidade Lean e contabilidade de ganhos

Uma fábrica que cortou o lead time de 6 semanas para 2 dias e subiu a pontualidade de 82% para 98% viu o custo-padrão do produto subir de R$ 21,50 para R$ 25,50. O problema não estava na fábrica, e sim na régua.

11.1Duas distorções que o Lean expõe

O padrão não enxerga o fluxo. Numa célula com custo de R$ 580/h e matéria-prima de R$ 42 por item, o padrão soma os minutos de operação: o produto A (17 min) sai a R$ 90 e o B (24 min) a R$ 110. Mas a célula anda no ritmo da operação mais lenta, 6 min, e entrega 10 peças/h de qualquer dos dois. Custo real de ambos: 580 ÷ 10 + 42 = R$ 100 (Custos Lean).

A melhoria aparece como piora.

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
MedidaAntesDepois do Lean
Lead time6 semanas2 dias
Estoque25 dias5 dias
Tamanho do lote2.500250
Entregas no prazo82%98%
Custo do produto (padrão)R$ 21,50R$ 25,50

O custo-padrão absorve mais setups e menos volume por lote. O caixa liberado pelo estoque, o serviço ao cliente e a capacidade não aparecem no custo do produto. Somado ao efeito do Capítulo 3 — produzir para o estoque melhora o lucro por absorção —, o sistema tradicional empurra a fábrica para lotes grandes.

11.2Contabilidade de ganhos (Teoria das Restrições)

Goldratt (A Meta) e Corbett (Contabilidade de Ganhos, 1997) reduzem a gestão a três medidas:

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
MedidaDefinição
Ganho (T)Receita − custos totalmente variáveis (materiais, comissões, fretes de venda)
Investimento (I)Dinheiro preso no sistema: estoques, máquinas, instalações
Despesa operacional (DO)Todo o dinheiro gasto para transformar investimento em ganho, inclusive mão de obra
MODELO MATEMÁTICO
\[LL = T - DO \qquad RSI = \frac{T - DO}{I} \qquad \text{produtividade} = \frac{T}{DO} \qquad \text{giro} = \frac{T}{I}\]

A prioridade é aumentar T; depois reduzir I; por último reduzir DO. A mão de obra é despesa operacional, não custo do produto: não varia com cada peça no curto prazo.

Exemplo hipotético na maçaneta: preço líquido R$ 15,54; totalmente variáveis = liga R$ 3,99 + químicos e anodos do banho R$ 0,70 + insumos de polimento R$ 0,10 + embalagem R$ 0,10 + comissão R$ 0,93 = R$ 5,83. Ganho por peça: R$ 9,71. Se o banho for o gargalo e cada gancheira levar 40 peças num ciclo de 20 minutos, o ganho por minuto do gargalo é 9,71 × 2 = R$ 19,43. É esse número que se compara entre produtos que disputam o banho.

Os cinco passos de focalização: (1) identificar a restrição; (2) explorá-la ao máximo; (3) subordinar todo o resto a ela; (4) elevar sua capacidade; (5) se ela se deslocar, voltar ao passo 1 sem deixar a inércia virar a nova restrição.

11.3Princípios da contabilidade Lean

Foco no fluxo de valor, não no produto isolado.

Otimização global, não utilização local. “A soma dos ótimos locais não é igual ao ótimo global” (Csillag).

Perguntar o que muda no caixa. Corbett: se movimentarmos o material mais vezes, contrataremos alguém? Se movimentarmos menos, alguém sairá?

Simplicidade: menos rateios, menos transações, mais informação visual no chão de fábrica.

Ohno resumiu: “custos existem para ser reduzidos, não calculados”. Andresen traduz os cinco princípios Lean para a fundição: valor é a peça sem defeito que o cliente quer; o fluxo de valor deve eliminar o refugo; o fluxo deve ser contínuo; o cliente deve poder “puxar” peças boas da célula; a perfeição é quando ele pode fazer isso sempre.

11.4Custeio por fluxo de valor e box score

Maskell e Baggaley (Practical Lean Accounting, 2003) propõem organizar os custos por fluxo de valor — a família de produtos e todas as etapas que a atendem — em vez de por departamento. Quase tudo é custo direto do fluxo: pessoas, máquinas, materiais, área. O custo médio por unidade é simplesmente o custo total do fluxo na semana dividido pelas unidades expedidas.

O box score mostra numa só visão três blocos, antes e depois de cada melhoria:

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
BlocoMedidas típicas
OperacionalVendas por pessoa, pontualidade, lead time (dock-to-dock), FPY, custo médio por unidade
CapacidadePercentual do tempo produtivo, não produtivo (retrabalho, espera, setup) e disponível
FinanceiroReceita, custo do fluxo, ganho, estoque, margem do fluxo

O bloco de capacidade resolve o paradoxo da seção 11.1: a melhoria Lean converte tempo não produtivo em capacidade disponível. O box score mostra essa capacidade e obriga a decidir o que fazer com ela: vender mais, internalizar, ou reduzir custo.

Na fábricaUm fluxo de valor por família

Na fábrica de ferragens, fluxos naturais seriam: maçanetas cromadas (injeção → polimento → Cu/Ni/Cr), cadeados (injeção/estampagem → montagem) e itens pintados (injeção → pintura a pó). Cada um com sua DRE semanal simples, sem rateio de galvanoplastia para quem não a usa.

Resumo do capítulo
  • Custeio tradicional pune fluxo: não enxerga o ritmo da célula e premia lotes grandes.
  • Contabilidade de ganhos mede T, I e DO e prioriza o ganho por minuto da restrição.
  • Contabilidade Lean organiza custos por fluxo de valor e mostra a capacidade liberada no box score.
  • A medida escolhida molda o comportamento da fábrica.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 11.1

    Se a gancheira passar a levar 50 peças no mesmo ciclo de 20 minutos, qual o novo ganho por minuto do banho?

  2. 11.2

    Explique, em até três frases, por que um gestor avaliado pelo lucro por absorção e pela eficiência contra o padrão tende a produzir lotes grandes.

CAPÍTULO 12

Capítulo 12Indicadores de desempenho e a ponte para o EBITDA

Cinco pontos de OEE na injetora da maçaneta valem R$ 14 mil por ano como redução de custo, ou R$ 1,24 milhão se as peças extras forem vendidas. Indicador operacional só vira dinheiro quando alguém decide o que fazer com ele.

12.1O painel de indicadores

As faixas abaixo vêm das planilhas internas e do plano industrial; são referências de trabalho sem fonte externa verificada. A meta de cada área deve partir da própria linha de base.

DADOS & REFERÊNCIAS11 linhas
IndicadorDefiniçãoFaixa de referência (interna)Meta do plano
Margem EBITDAEBITDA ÷ receita líquida12–22%>10% → 15% → 18% → 22%
Margem de contribuição(Receita líquida − variáveis) ÷ receita líquida22–38%35–40%, até 44%
OEEDisponibilidade × performance × qualidade65–85%75% → 78% → 80%
Conversão de horasHoras-padrão ÷ horas pagas> 70%≥ 75%
Horas extrasHoras extras ÷ horas pagas—8–10%
FPYBoas na primeira passagem ÷ processadas—≥ 98%
OTIFPedidos no prazo e completos ÷ vencidos—≥ 95%
RefugoCondenadas ÷ produção1–3% (excelente < 1%)−10%, −20%, −30% sobre a base
Dias de estoqueEstoque médio ÷ CPV diário25–50 (enxuta 20–35)—
Giro de estoqueVezes por ano6–12 (eficiente > 10)—
Lead time de produçãoPedido → entrega interna3–15 dias (enxuta < 7)—

Numerador, denominador, janela e fonte de dados devem ser iguais em todos os períodos.

12.2OEE: definição, perdas e implantação

MODELO MATEMÁTICO
\[OEE = D \times P \times Q \qquad D = \frac{TPP - TPnP}{TPP} \qquad P = \frac{TCU \times QPP}{TP} \qquad Q = \frac{QPP - QPR}{QPP}\]

TPP: tempo de produção planejado; TPnP: paradas não planejadas; TCU: tempo de ciclo unitário padrão; QPP: peças processadas; TP: tempo em produção; QPR: peças refugadas (Raposo, ENEGEP 2011).

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
FatorPerdasNa célula de zamac
DisponibilidadeQuebras, setup e ajustesTroca de molde, bico entupido, aquecimento, falta de liga
PerformancePequenas paradas, velocidade reduzidaCiclo acima do padrão, extração manual, spray demorado
QualidadeRefugo, retrabalho, perdas de partidaPrimeiros golpes descartados, porosidade, junta fria

A referência de classe mundial de Nakajima é 90% × 95% × 99% = 84,6%. O plano interno trata 75% como patamar de estabilidade, mas mostra componentes de 90%, 95% e 99% ao lado do OEE de 75%: números de medições diferentes, que precisam ser conciliados.

No caso estudado por Raposo, o OEE subiu de 51% para 65% em onze meses com: treinamento de todos; equipe dona da medição; cronoanálise e identificação do gargalo de cada linha; códigos de parada definidos com os operadores; folha de coleta padrão; quadros visuais; reunião diária; cartão de problema com dono; e nova medição para validar. Os obstáculos foram dados não apontados e mais de 50% dos produtos com tempo de ciclo desatualizado. A gestão contínua apoia-se em cinco elementos: coleta de dados, códigos de parada, gestão das seis grandes perdas, análise e fórum de desempenho (Volume 10).

12.3Horas pagas e horas produtivas

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
Medida (plano industrial)HorasRelação
Horas-padrão produzidas27.151—
Horas normais29.956Padrão ÷ normais = 90,6%
Horas extras6.081HE ÷ normais = 20,3%
Horas pagas36.037Padrão ÷ pagas = 75,3%; HE ÷ pagas = 16,9%

Na jornada normal a conversão é boa; o problema é precisar de 16,9% de horas extras. É falta de capacidade, não de esforço: as alavancas são OEE, setup e manutenção.

12.4Como o OEE vira dinheiro

Ganho de OEE é capacidade e só chega ao EBITDA por três caminhos: mais venda com margem positiva; menos custo de capacidade (horas extras, turno, terceirização); ou investimento evitado.

DADOS & REFERÊNCIAS3 linhas
Caminho (célula da maçaneta, 4.000 h/ano, 500 golpes/h, 2 cavidades, OEE 75% → 80%)Valor anual
Redução de custo por peça (R$ 0,014 × 1 milhão)R$ 14 mil
Horas liberadas para o mesmo volume: 4.000 × (1 − 75/80)250 h
200.000 peças a mais × MC de R$ 6,22R$ 1,24 milhão

A última linha só vale com demanda e com capacidade no polimento e no banho; se o gargalo for o banho, o OEE da injetora não move o resultado.

12.5Preço, volume e custo: explicando a variação da margem

A análise preço-volume-custo decompõe a diferença entre a margem real e a orçada:

MODELO MATEMÁTICO
\[\Delta_{volume} = (Q_r - Q_o)\,MC_o \qquad \Delta_{preço} = (P_r - P_o)\,Q_r \qquad \Delta_{custo} = -(CV_r - CV_o)\,Q_r\]

Exemplo hipotético com a maçaneta: orçado 1,0 milhão de peças a R$ 15,54 com custo variável (custo + comissão) de R$ 9,32; real 1,1 milhão a R$ 15,20 com R$ 9,45.

DADOS & REFERÊNCIAS4 linhas
EfeitoCálculoR$
Volume100.000 × 6,22+622.000
Preço(15,20 − 15,54) × 1.100.000−374.000
Custo−(9,45 − 9,32) × 1.100.000−143.000
Variação da MC6.325.000 − 6.220.000+105.000

A margem total subiu, mas o volume escondeu uma perda de preço e de custo de R$ 517 mil. Com vários produtos, acrescenta-se o efeito mix (mudança na participação de itens com margens diferentes). A variação de custo se abre com as variações do Capítulo 4.

12.6Capital de giro e retorno sobre o capital

EBITDA não é caixa: estoque e contas a receber prendem dinheiro.

MODELO MATEMÁTICO
\[CCC = DIO + DSO - DPO \qquad ROIC = \frac{NOPAT}{\text{capital investido}} = \frac{NOPAT}{\text{receita}} \times \frac{\text{receita}}{\text{capital investido}}\]

DIO são os dias de estoque, DSO os dias de recebimento e DPO os dias de pagamento a fornecedores. Com DIO de 45, DSO de 60 e DPO de 40 dias, o ciclo de conversão de caixa (CCC) é de 65 dias. Na DRE do Capítulo 1 (CPV de R$ 4,92 milhões), 45 dias de estoque são R$ 607 mil; reduzir para 30 dias libera R$ 202 mil de caixa. Com um custo de carregar estoque da ordem de 20–30% ao ano (capital, área, seguro, obsolescência, oxidação), isso vale cerca de R$ 50 mil por ano, além do caixa liberado.

O ROIC une margem e giro (análise DuPont). Exemplo hipotético: EBIT de R$ 1.558.000 da DRE, tributos de 34%, NOPAT de R$ 1,03 milhão; capital investido de R$ 4,6 milhões (imobilizado + capital de giro). Margem NOPAT 12,5% × giro 1,78 = ROIC de 22,4%. Cria valor enquanto o ROIC superar o custo de capital. Reduzir estoque melhora o giro; reduzir custo melhora a margem: os dois mexem no mesmo número.

12.7A ponte de EBITDA do plano

Com receita de R$ 85 milhões, cada ponto percentual de EBITDA vale R$ 850 mil por ano (10% = R$ 8,5 milhões; 22% = R$ 18,7 milhões).

DADOS & REFERÊNCIAS7 linhas
Alavanca do planoHipótesePontosR$/ano
Preço e mixMC +2 p.p.2,01.700.000
Produtividade e OEECapacidade sem MOD proporcional2,01.700.000
EstruturaOtimização após os ganhos2,01.700.000
Compras e materialMC +1 p.p.1,0850.000
Horas extrasDe 16,9% para 10%1,0850.000
QualidadeCOPQ −20%0,5425.000
Soma8,57.225.000

A soma não fecha a meta: partindo de 10%, leva a cerca de 18,5%; faltam 3,5 pontos (R$ 3 milhões) para 22%. E as alavancas se sobrepõem: OEE, horas extras e qualidade disputam o mesmo ganho. A ponte precisa de mais iniciativas, de crescimento de receita ou de meta revista.

12.8Governança do painel

Dono e frequência: EBITDA e MC mensais; OEE diário por célula; horas extras, FPY e OTIF semanais.

Faixas de alerta do plano: OEE amarelo entre 70% e 75%, vermelho abaixo de 70%; horas extras amarelas entre 10% e 15%, vermelhas acima de 15%.

Pendências a resolver antes de fechar a ponte: MOI informada (50) × listada (51); OEE de 75% × 84,6%; período das horas; linha de base de refugo, retrabalho e COPQ.

Indicador líder ligado a efeito econômico: MTBF, aderência ao plano, tempo de setup, cada um com o impacto que gera em capacidade, horas extras ou margem.

Resumo do capítulo
  • O painel liga operação a dinheiro; sem regra fixa de medição, não há tendência.
  • OEE é capacidade; vira EBITDA por venda, custo de capacidade evitado ou investimento evitado.
  • Preço, volume, custo e mix explicam a variação da margem.
  • Capital de giro e ROIC completam o EBITDA.
  • A ponte do plano soma 8,5 pontos e deixa 3,5 pontos sem dono.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 12.1

    Uma injetora tem disponibilidade de 88%, performance de 92% e qualidade de 97%. Qual o OEE?

  2. 12.2

    Com DIO de 40, DSO de 55 e DPO de 45 dias, qual o ciclo de conversão de caixa?

CAPÍTULO 13

Capítulo 13Programa de redução de custos

Na maçaneta, subir a aprovação de primeira da galvanoplastia de 92% para 95% vale mais do que comprar zamac R$ 1/kg mais barato. Um programa de custos começa por medir onde está o dinheiro, não por cortar onde é mais fácil.

13.1Método em quatro etapas

Auditar a fábrica e levantar os custos operacionais: materiais, mão de obra, diretos, indiretos, despesas.

Acompanhar os custos num calendário fixo, no mesmo período contábil.

Analisar cada categoria: custo de fabricação = material + mão de obra + indiretos; custo unitário = total ÷ unidades.

Reduzir ou eliminar com plano, prazo e acompanhamento (Cost Savings in Manufacturing).

Toda economia se mede contra uma linha de base: valor, período, fonte e dono definidos antes da ação.

13.2Sete alavancas gerais

DADOS & REFERÊNCIAS7 linhas
AlavancaIdeiaAplicação em ferragens de zamac
Manufatura enxutaValor, fluxo, puxar, melhoria contínuaFluxo entre injeção, polimento e banho sem estoques intermediários
Suprimentos e fornecedoresConsolidar, negociar, prever melhorContratos de liga indexados ao zinco; qualificação de pureza
QualidadeMenos retrabalho, refugo e garantiaDetectar poro antes do banho
Treinamento e engajamentoHabilidade e menos rotatividadeCertificação por posto em injeção e banho
Eliminação de desperdíciosEnergia, horas extras, venda de resíduosBorra e sucata vendidas com valor; fornos tampados
Gestão de riscosContingência para cadeia e mercadoEstoque de segurança de liga; segundo fornecedor de químicos
Engenharia de valorReduzir custo sem perder desempenhoParedes finas com nervuras, linha de partição plana, menos gavetas

13.3Desperdício é custo com outro nome

O Sistema Toyota trata juntas três famílias de perda: muda (atividade sem valor), mura (irregularidade) e muri (sobrecarga). Eliminar uma mexe nas outras.

DADOS & REFERÊNCIAS8 linhas
DesperdícioOnde aparece na DRE
SuperproduçãoEstoque, capital de giro, área, obsolescência
EsperaMão de obra paga sem produção; horas extras para recuperar
TransporteMovimentação, danos à peça polida
Processamento em excessoPolimento além do necessário; camada acima da especificação
EstoqueJuros, seguro, espaço, peças oxidando antes do banho
MovimentaçãoProdutividade da MOD
DefeitosCOPQ (Capítulo 10)
Talento não usadoMelhorias que ninguém propôs

13.4Priorizar antes de agir

Pareto em reais, não em ocorrências.

ABC de materiais: classes por valor e consumo, cada uma com seu fluxo e estoque.

ABC de máquinas e Cost Deployment: estratificar o custo de quebras por equipamento (matriz C do WCM) e priorizar as máquinas que mais pesam na perda total.

Sensibilidade por peça boa: quanto cada alavanca move o custo do produto.

DADOS & REFERÊNCIAS6 linhas
Alavanca na maçaneta (base R$ 8,39 por peça boa)Redução por peçaPor milhão de peças
Galvanoplastia de 92% para 95% de primeiraR$ 0,262R$ 262 mil
Zamac R$ 1/kg mais baratoR$ 0,183R$ 183 mil
Polimento de 96% para 98% de primeiraR$ 0,134R$ 134 mil
Perda de liga de 2,5% para 1,5%R$ 0,060R$ 60 mil
Retorno de canal de 60 g para 45 gR$ 0,043R$ 43 mil
OEE da injetora de 75% para 80%R$ 0,014R$ 14 mil

O OEE aparece por último como custo, mas é a alavanca de capacidade (Capítulo 12).

13.5Referências para as alavancas do processo

DADOS & REFERÊNCIAS7 linhas
AlavancaReferênciaFonte
Rendimento do forno92–97%; perdas acima de 8% indicam problemaIndicadores_ZAMAC (interno)
Perda de liga por oxidação e borra1,5–4%; excelência < 2%Indicadores_ZAMAC (interno)
Vida do molde de zinco600 mil a 2 milhões de ciclos, conforme spray e controle térmicoFrech
Energia por peçaAlumínio gasta ≥ 50% mais que o zincoVotorantim
Aprovação de primeira na galvanoplastia85–95%Indicadores_ZAMAC (interno)
Parâmetros da linha de cromagem+33,5% de capacidade só com ajuste de variáveisTCC Unilasalle (2010)
Rendimento da tinta em póAté 98% de reaproveitamento; R = 1000 ÷ (camada × peso específico) m²/kgWEG DT-13

Andresen (Die Casting Engineering, cap. 10) lembra que estabilizar o processo é a primeira alavanca: cartas de controle sobre até cinco variáveis por molde, Pareto de defeitos, DOE para fixar a janela de operação e correções pequenas. No zinco, temperaturas acima de cerca de 440 °C aumentam inclusões duras de alumínio e ferro, que aparecem como riscos no polimento: temperatura do forno é alavanca de custo do acabamento.

13.6Tempo também é custo

MODELO MATEMÁTICO
\[\text{lead time} = \frac{\text{WIP}}{\text{taxa de saída}}\]

Com 10.000 peças entre a injetora e a embalagem e saída de 2.000 por dia, o lead time é de 5 dias (Lei de Little). Reduzir o WIP é quase sempre mais barato que aumentar a saída (Werkema, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, cap. 3). Menos lead time significa menos estoque a financiar, menos peça riscada ou oxidada esperando e menos urgência.

13.7Como comprovar a economia

Linha de base antes da ação, com dono e fonte.

Separar preço, consumo e mix: queda do zinco não é ganho de processo (Capítulo 4).

Ligar cada ganho a uma linha da DRE e contar uma vez só.

Só é economia o que sai do caixa: hora liberada sem destino não é economia.

Não cortar o que gera margem: hora extra que produz peça vendida com MC positiva dá lucro.

Transformar a meta anual em custeio kaizen por célula (Capítulo 8).

13.8Roteiro do plano industrial

DADOS & REFERÊNCIAS5 linhas
FaseHorizonteObjetivoEBITDAOEEHoras extrasMC
0 Diagnóstico0–30 diasDados conciliados: DRE, horas, OEE, qualidade, quadro> 10%MedirMedir causasLinha de base
1 Estabilizar31–90 diasReduzir pressão sem perder OTIF e qualidade10–12%≥ 75%≤ 10–12%≥ 40%
2 Produtividade3–6 mesesCapacidade: setup, manutenção, processos, mix12–15%77–78%8–10%40–42%
3 Escalar6–12 mesesMargem: preço e mix, compras, produtividade15–18%≈ 80%8–10%42–44%
4 Excelência12–24 mesesAproximar 22% sem deteriorar o cliente18–22%≥ 80%8–10%≥ 44% (hipótese)

13.9Checklist antes de decidir com os modelos deste volume

☐ Receita, deduções, CPV e despesas conciliam com o balancete do mesmo período?

☐ Roteiros, consumos de liga, perdas e tempos-padrão estão atualizados por SKU?

☐ A capacidade normal reflete calendário, turnos e manutenção planejada?

☐ Tributos e comissões usam a base certa, já na regra de transição CBS/IBS?

☐ O custo usado no preço é o custo por peça boa?

☐ Receita de R$ 85 milhões e quadro de pessoal (MOI 50 × 51) estão conciliados?

☐ Cada iniciativa tem linha de base, dono, data e comprovação numa linha da DRE, contada uma vez?

Resumo do capítulo
  • Audite, acompanhe, analise e só então reduza, sempre contra uma linha de base.
  • Desperdício é custo; traduza cada um numa linha da DRE.
  • Priorize pelo impacto no custo por peça boa e pela capacidade do gargalo.
  • Comprove a economia no caixa e conte-a uma vez só.
ExercíciosGabarito nos apêndices
  1. 13.1

    Ordene as alavancas da tabela da seção 13.4 que não dependem do mercado de zinco e explique por que a primeira vem antes do OEE.

  2. 13.2

    Com 15.000 peças em processo e saída de 2.500 peças por dia, qual o lead time? Quanto WIP seria preciso para chegar a 3 dias com a mesma saída?

MATERIAL DE REFERÊNCIA

Apêndices

AFormulário

DADOS & REFERÊNCIAS26 linhas
GrandezaFórmulaCap.
Custo dos produtos vendidosEI acabados + produção acabada − EF acabados1
Separação fixo/variável (máx-mín)b = Δcusto ÷ Δvolume; a = C − bQ2
Ponto de equilíbrioFixos ÷ MC% (contábil: + depreciação; econômico: + lucro mínimo)2
Margem de segurança(Receita − PE) ÷ receita2
Alavancagem operacionalMC total ÷ resultado2
Diferença absorção − variável(Produção − vendas) × CIF fixo unitário3
Variação de preço(P real − P padrão) × Q real4
Variação de quantidade(Q real − Q permitida) × P padrão4
Variação de volume do CIF fixo(Capacidade normal − produção) × taxa fixa4
TDABCCusto da capacidade ÷ minutos práticos × minutos da atividade5
Custo do molde por peçaPreço ÷ (vida × cavidades) + manutenção6
Custo por peça boaΣ custo da etapa ÷ produto dos rendimentos dali em diante6
Prioridade com gargaloMC ÷ minutos no recurso restritivo7
Preço por margem / markupC ÷ (1 − m) / 1 ÷ (1 − m)8
Preço líquido e da notaC ÷ (1 − MC − com); P líq ÷ (1 − tributos por dentro)8
ICMS-STP nota × (1 + MVA) × alíquota interna − ICMS próprio8
Custo-metaPreço de mercado − margem desejada8
VPL−I₀ + Σ FCₜ ÷ (1 + i)ᵗ9
RTYProduto dos rendimentos de primeira10
Perda de Taguchi (lote)k[(média − alvo)² + s²], k = A₀ ÷ Δ₀²10
Contabilidade de ganhosLL = T − DO; RSI = (T − DO) ÷ I11
OEEDisponibilidade × performance × qualidade12
Efeitos preço-volume-custo(Qr − Qo)MCo; (Pr − Po)Qr; −(CVr − CVo)Qr12
Ciclo de conversão de caixaDIO + DSO − DPO12
ROICNOPAT ÷ capital investido = margem × giro12
Lei de LittleLead time = WIP ÷ taxa de saída13

BGlossário

DADOS & REFERÊNCIAS21 linhas
TermoDefinição
ABC / TDABCCusteio por atividades; na versão TDABC, dirigido por minutos e capacidade prática
Box scorePainel Lean com medidas operacionais, de capacidade e financeiras de um fluxo de valor
Capacidade normalProdução média esperada ao longo de vários períodos; base do rateio do CIF fixo (CPC 16)
CIFCustos indiretos de fabricação
COPQCusto da má qualidade: o que sumiria se tudo fosse feito sem deficiência
Custeio kaizenMeta periódica de redução de custo na produção
Custo afundadoCusto já incorrido, irrelevante para decisões futuras
Custo de oportunidadeGanho da melhor alternativa abandonada
Custo-metaPreço de mercado menos margem desejada; meta de custo do projeto
Custo relevanteCusto futuro que difere entre alternativas
EBITDALucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização
Faixa relevanteIntervalo de volume em que fixos e variáveis se comportam como previsto
Ganho (T)Receita menos custos totalmente variáveis (Teoria das Restrições)
GAOGrau de alavancagem operacional: sensibilidade do resultado ao volume
Margem de contribuiçãoReceita menos custos e despesas variáveis
MVAMargem de valor agregado usada na base do ICMS-ST
OEEEficiência global do equipamento
Orçamento flexívelOrçamento recalculado para o volume real
Rendimento metálicoMassa da peça ÷ massa injetada
RTYRendimento acumulado de primeira passagem
UEPUnidade de esforço de produção: unifica produtos diversos numa medida comum

CGabarito dos exercícios

DADOS & REFERÊNCIAS26 linhas
ExercícioResposta
1.1(a) investimento; (b) custo; (c) despesa; (d) perda; (e) custo; (f) despesa
1.2EBITDA = 100 − 18 − 70 − 20 = −8%; CPV para 10%: 100 − 18 − 20 − 10 = 52%
2.12.214.000 ÷ 0,45 = R$ 4,92 milhões
2.2−5% × 2,23 = −11,2% (cerca de R$ 201 mil)
3.1(120.000 − 80.000) × 0,40 = R$ 16.000 a mais na absorção
3.2Quando a produção é igual às vendas (o estoque não varia) ou não há custo fixo de fabricação
4.1Preço: (24,50 − 25,00) × 15.400 = R$ 7.700 favorável; quantidade: (15.400 − 15.525) × 25 = R$ 3.125 favorável
4.2Qualidade do metal ou do processo de injeção (temperatura do forno, liga contaminada, porosidade): mais refugo consome liga e mais poros exigem lixamento
5.190 × 1,953 = R$ 175,77 por lote; 20 lotes ÷ 20.000 peças = R$ 0,176 por peça
5.2(a) produto (ou lote, se feita a cada lote); (b) unidade; (c) produto; (d) instalação
6.1Bloco de metal sobe de R$ 3,99 para R$ 4,31; custo sem perdas R$ 7,76 (+R$ 0,32)
6.2R$ 0,037 por peça (refusão R$ 0,028 + perda de liga R$ 0,009)
7.1R$ 9,50: (9,50 − 7,93) × 100.000 = +R$ 156.550, aceitar se houver capacidade ociosa; R$ 7,50: −R$ 43.450, recusar
7.2O custo relevante interno passa a R$ 1,60, acima de R$ 1,45: comprar economiza R$ 0,15 por peça, salvo fatores qualitativos
8.1Markup 1,538; 8,39 ÷ 0,59 = R$ 14,22
8.213,50 × 0,54 = R$ 7,29; distância de R$ 1,10 (13% do custo atual)
9.1380.000 × 2,9906 − 900.000 = R$ 236.433
9.2Cerca de 881 mil peças por ano
10.10,98 × 0,97 × 0,95 = 90,3%
10.2k = 25 ÷ 2² = R$ 6,25/V²; L(11 V) = 6,25 × 1² = R$ 6,25
11.12,5 peças/min × R$ 9,71 = R$ 24,29 por minuto
11.2Produzir acima das vendas guarda CIF fixo no estoque e melhora o lucro por absorção; a eficiência contra o padrão premia volume por setup; os dois incentivam lotes grandes e estoque
12.10,88 × 0,92 × 0,97 = 78,5%
12.240 + 55 − 45 = 50 dias
13.1Galvanoplastia (R$ 0,262) > polimento (0,134) > perda de liga (0,060) > retorno de canal (0,043) > OEE (0,014). A perda no fim do fluxo carrega todo o custo acumulado; o OEE só vale como custo se não houver demanda para a capacidade liberada
13.215.000 ÷ 2.500 = 6 dias; para 3 dias, WIP de 7.500 peças

DBibliografia

Obras de referência que orientam a estrutura do volume (leitura recomendada; não estão na biblioteca da pasta):

Horngren, C.; Datar, S.; Rajan, M. Contabilidade de Custos: uma abordagem gerencial. Pearson.

Martins, E. Contabilidade de Custos. Atlas.

Kaplan, R.; Cooper, R. Custo e Desempenho (Cost & Effect). Futura, 1998.

Kaplan, R.; Anderson, S. Time-Driven Activity-Based Costing. Harvard Business School Press, 2007.

Goldratt, E.; Cox, J. A Meta. Nobel.

Corbett Neto, T. Contabilidade de Ganhos. Nobel, 1997.

Maskell, B.; Baggaley, B. Practical Lean Accounting. Productivity Press, 2003.

Cooper, R.; Slagmulder, R. Target Costing and Value Engineering. Productivity Press, 1997.

Monden, Y. Cost Reduction Systems: Target Costing and Kaizen Costing. Productivity Press, 1995.

Crosby, P. Quality Is Free. McGraw-Hill, 1979.

Juran, J. (org.). Juran’s Quality Handbook. McGraw-Hill.

Brealey, R.; Myers, S.; Allen, F. Princípios de Finanças Corporativas. McGraw-Hill.

Fontes da biblioteca Carrasco Manufaturing usadas (códigos do PLANO_VOLUMES_CAPITULOS.md):

DADOS & REFERÊNCIAS21 linhas
CódigoDocumentoCaps.
C01E-book Volume 01 — Custos Industriais (versão anterior) — BIBLIOTECA_UNICA/01_Gestao_e_Custos1, 8, 12, 13
C02Custos Lean (Cotil/Unicamp) — Kaizen&Lean3, 5, 7, 8, 11
C03Cost of Poor Quality (Juran Institute) — Kaizen&Lean10
C04Cost Savings in Manufacturing — Kaizen&Lean1, 13
Z01Manual de Fundição sob Pressão (Votorantim Metais) — ZAMAC6, 13
Z04Fuhr et al., microestrutura e corrosão do Zamak 5 (Feevale) — GALVANOPLASTIA6
Z10Andresen, Die Casting Engineering (2005), cap. 10 — ZAMAC10, 11, 13
Z12NADCA, Product Design for Die Casting (2015), caps. 2.3–2.4 — ZAMAC/Cálculo Canal6, 8
A02Bar-Meir, Fundamentals of Die Casting Design, caps. 1.2–1.3 — ZAMAC/Cálculo Canal6
F07Frech, Integration of Modular Spraying Systems — ZAMAC/Material Frech6, 9, 13
G01TCC Unilasalle, linha de cromagem (2010) — GALVANOPLASTIA/Curso de Galvanoplastia.pdf13
P02WEG, Apostila DT-13 — Tintas em pó — Pintura Po13
L02Werkema, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, cap. 3 — Kaizen&Lean13
L03Werkema, Criando a Cultura Lean Seis Sigma, caps. 3 e 7 — Kaizen&Lean10
L133M — Muda, Mura, Muri — Kaizen&Lean13
L26Treinamento Análise ABC — Kaizen&Lean13
Q10Ribeiro e ten Caten, Controle Estatístico do Processo (UFRGS), cap. 4 — Kaizen&Lean10
M01Raposo, OEE em empresa de bebidas (ENEGEP 2011) — OEE12
M02, M03Treinamento OEE Rev A; 5 Elementos de Gestão e Melhoria do OEE — Kaizen&Lean12
—Planilhas DRE_Padrao, Controladoria, DRE 3 Regimes, Formação de preço de ferragens, Indicadores de Manufatura, Plano Industrial OEE-EBITDA r1 — CUSTOS1, 2, 8, 12, 13
—Indicadores_ZAMAC — ZAMAC10, 12, 13

Normas citadas: CPC 16 (R1) — Estoques; CPC 26 (R1) — Apresentação das demonstrações contábeis; EC 132/2023 e LC 214/2025 — reforma tributária do consumo.