Este volume ensina a medir, decidir e melhorar o resultado econômico de uma fábrica de ferragens em zamac. Segue a arquitetura dos clássicos de custos e gestão — fundamentos, custeio do produto, decisões, desempenho — aplicada a uma peça real de processo, com exemplos resolvidos, resumos e exercícios com gabarito.
Prefácio
Para quem é. Gestores industriais, engenheiros de processo, controllers e analistas de FP&A de fábricas de ferragens e peças fundidas. O leitor não precisa saber contabilidade; precisa decidir com números.
Como está organizado. A sequência segue a dos manuais de referência em contabilidade de custos e gestão — Horngren, Datar e Rajan; Eliseu Martins; Kaplan e Cooper — e acrescenta o que esses livros tratam pouco: o processo de fundição sob pressão e o acabamento galvânico.
| Parte | Pergunta que responde | Capítulos |
|---|---|---|
| I — Fundamentos | Como o custo se comporta e como ele chega à DRE? | 1 Custos e a gestão da manufatura · 2 Custo-volume-lucro |
| II — Custeio do produto | Quanto custa cada peça, e por quê? | 3 Absorção e variável · 4 Custo-padrão e variações · 5 ABC, TDABC e UEP · 6 O custo da peça de zamac |
| III — Decisões | O que fazer com essa informação? | 7 Custos relevantes · 8 Formação de preço · 9 Investimentos |
| IV — Desempenho e melhoria | Como medir e melhorar o resultado? | 10 Custo da qualidade · 11 Contabilidade Lean e de ganhos · 12 Indicadores e ponte para o EBITDA · 13 Programa de redução de custos |
Objetivos de aprendizagem no início; conceito, fórmula e exemplo resolvido no corpo; quadros “Na fábrica” com a aplicação ao zamac; resumo e exercícios no fim. O gabarito, o formulário, o glossário e a bibliografia estão nos apêndices.
Uma peça hipotética atravessa o livro: maçaneta de zamac cromada, 150 g, molde de 2 cavidades. Ela recebe custo nos Capítulos 3 a 6, sustenta decisões no 7 a 9 e mede perdas e ganhos no 10 a 13. Ao lado dela, a DRE ilustrativa de R$ 10 milhões e o plano industrial de R$ 85 milhões das planilhas internas servem para os temas da empresa como um todo.
- Dados das planilhas internas (pastas CUSTOS e ZAMAC): premissas de trabalho, não resultados fechados.
- Dados de fontes técnicas (NADCA, Votorantim, Frech, Juran, Werkema, UFRGS): citados com a origem.
- Hipóteses didáticas: servem para mostrar o método. Substitua pelos números reais antes de decidir.
Tributos e regras contábeis aparecem como estrutura de cálculo. Alíquotas, regimes e a transição para CBS e IBS devem ser validados com a contabilidade. Este material não substitui assessoria contábil, fiscal ou financeira.
Parte I — Fundamentos
Capítulo 1Custos e a gestão da manufatura
O custo não é um número único: o mesmo gasto pode ser custo, despesa, investimento ou perda, e cada classificação leva a uma decisão diferente.
1.1Três contabilidades
| Financeira | De custos | Gerencial | |
|---|---|---|---|
| Pergunta | Quanto a empresa ganhou? | Quanto custou o que foi produzido? | Que decisão tomar? |
| Usuário | Fisco, auditoria, bancos, sócios | Contabilidade e controladoria | Diretoria, engenharia, comercial, PCP |
| Regras | Obrigatórias (CPC) | Obrigatórias para estoque (CPC 16) | Livres: o que ajudar a decidir |
| Método típico | Absorção | Absorção, padrão | Variável, ABC, custos relevantes |
| Produto | DRE e balanço | Custo dos estoques e do CPV | Custo por SKU, margens, orçamento, análises |
A contabilidade de custos nasceu para avaliar estoques e depois virou ferramenta de controle e de decisão (Martins, Contabilidade de Custos). O risco é usar o número feito para uma finalidade na outra: o custo por absorção, correto para o balanço, induz a erros de mix e de preço (Capítulos 3 e 7).
1.2Gasto, investimento, custo, despesa e perda
| Termo | Definição | Exemplo na fábrica |
|---|---|---|
| Gasto | Sacrifício financeiro para obter um bem ou serviço | Compra de 20 t de lingote de zamac |
| Investimento | Gasto ativado, que beneficia períodos futuros | Molde novo, injetora, estoque de liga |
| Custo | Gasto com bens e serviços usados na produção | Liga consumida, energia do forno, MOD do polimento |
| Despesa | Gasto com bens e serviços para vender e administrar | Comissão do representante, frete de entrega, folha do financeiro |
| Perda | Consumo anormal e involuntário, sem geração de receita | Liga derramada num vazamento de cadinho; lote inteiro sucateado por enchente |
| Desembolso | Pagamento, que pode ocorrer antes, durante ou depois do gasto | Pagamento a 60 dias da compra de liga |
A linha entre custo e perda separa o normal do anormal. A borra que todo forno gera (1,5–4% da liga) é custo e entra no produto; um derramamento é perda e vai direto ao resultado. Misturar os dois infla o custo-padrão e esconde o problema.
1.3As classificações que sustentam todo o resto
O objeto de custo é aquilo cujo custo se quer saber: uma peça, um lote, um cliente, uma linha de galvanoplastia. As classificações são sempre relativas a ele.
| Par | Pergunta | Exemplo (objeto: a maçaneta) |
|---|---|---|
| Direto × indireto | Dá para medir o consumo pelo objeto sem rateio? | Liga por peça (direto) × salário do PCP (indireto) |
| Variável × fixo | O total muda com o volume? | Energia de fusão (variável) × aluguel do galpão (fixo) |
| Custo × despesa | Serve para fabricar ou para vender e administrar? | Manutenção do molde × comissão |
| Do produto × do período | Vai para o estoque ou para o resultado do mês? | Custo fabril (produto) × despesas (período) |
| Controlável × não controlável | O gestor da área decide sobre ele? | Consumo de níquel (supervisor do banho) × depreciação do prédio |
Um mesmo custo muda de classe conforme o objeto. A energia da injetora é direta para a célula e indireta para a peça, se a célula faz vários produtos sem medição separada.
1.4O fluxo dos custos: do estoque à DRE
Na indústria os custos passam por três estoques antes de virar CPV: matéria-prima, produtos em elaboração e produtos acabados.
CPP é o custo de produção do período; CPA, o custo da produção acabada; EI e EF, estoques inicial e final. Numa fábrica de zamac, o estoque em elaboração é grande: peças injetadas aguardando rebarbação, polimento e banho. Ele imobiliza caixa e esconde refugo (Capítulos 10 e 12).
1.5Anatomia da DRE de uma indústria de ferragens
A planilha interna DRE_Padrao_Metalmecanica traz uma DRE ilustrativa de fechaduras, cadeados e acessórios:
| Conta | R$/ano | % da receita líquida |
|---|---|---|
| Receita bruta | 10.000.000 | 121,95% |
| (−) Deduções (tributos, devoluções) | (1.800.000) | (21,95%) |
| Receita líquida | 8.200.000 | 100,00% |
| (−) CPV | (4.920.000) | (60,00%) |
| Lucro bruto | 3.280.000 | 40,00% |
| (−) Despesas comerciais | (656.000) | (8,00%) |
| (−) Despesas administrativas | (574.000) | (7,00%) |
| (−) Despesas logísticas | (246.000) | (3,00%) |
| EBITDA | 1.804.000 | 22,00% |
| (−) Depreciação e amortização | (246.000) | (3,00%) |
| EBIT | 1.558.000 | 19,00% |
| (−) Resultado financeiro | (164.000) | (2,00%) |
| Resultado antes de IRPJ/CSLL | 1.394.000 | 17,00% |
CPV: zamac, aço e latão; galvanoplastia; mão de obra direta; energia; manutenção; ferramental; perdas normais de processo. Comercial: representantes e comissões, trade marketing, marketplaces, logística comercial. Administrativo: engenharia, PCP, qualidade, financeiro, RH.
O EBITDA mede a geração de caixa operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Não é caixa: ignora investimentos em capital de giro e em máquinas (Capítulo 12).
1.6Como auditar um modelo de DRE
As planilhas da pasta CUSTOS mostram quatro erros comuns:
Rótulo que não fecha com a conta. A DRE padrão rotula o EBITDA como “~10%”; as linhas dão 22% (R$ 3.280.000 − 656.000 − 574.000 − 246.000 = R$ 1.804.000).
Texto explicativo com outra conta. A aba de notas chega a R$ 820.000 com as mesmas despesas.
Percentuais que somam mais de 100% da receita. Os modelos “3 regimes” e de controladoria aplicam tributos, CPV de 70% e despesas de 20% sobre a receita bruta:
| Modelo | Tributos | EBITDA calculado | Margem |
|---|---|---|---|
| Lucro Real (receita R$ 3 milhões/ano) | 15% | −R$ 150.000 | −5,0% |
| Lucro Presumido | 13,33% | −R$ 99.900 | −3,3% |
| Simples Nacional | 12% | −R$ 60.000 | −2,0% |
| Controladoria (R$ 833 mil/mês) | 18% | −R$ 66.667/mês | −8,0% |
Base trocada. Todo percentual “da receita” precisa dizer se a base é bruta ou líquida: 18% sobre a bruta são 21,95% sobre a líquida.
Refaça a cascata à mão e confira que tributos + custos + despesas + resultado = 100% da mesma base.
- Financeira, de custos e gerencial respondem a perguntas diferentes; o mesmo número não serve para todas.
- Investimento, custo, despesa e perda dependem da finalidade e da normalidade do gasto.
- Direto/indireto depende do objeto de custo; fixo/variável depende do volume.
- O custo passa por matéria-prima, elaboração e acabados antes de virar CPV.
- Modelo de DRE só se usa depois de refazer a cascata.
- 1.1
Classifique como investimento, custo, despesa ou perda: (a) molde novo; (b) borra normal do forno; (c) comissão do representante; (d) lote de 5.000 peças destruído num incêndio; (e) níquel consumido no banho; (f) frete de entrega ao cliente.
- 1.2
Um modelo aplica tributos de 18%, CPV de 70% e despesas de 20% sobre a receita bruta. Qual o EBITDA em percentual? Mantidos tributos e despesas, qual CPV daria EBITDA de 10% da receita bruta?
Capítulo 2Comportamento dos custos e análise custo-volume-lucro
Na DRE ilustrativa, cada 10% a mais de vendas aumentam o EBITDA em 22%: a estrutura fixa amplifica o volume nos dois sentidos.
2.1Como os custos se comportam
| Comportamento | Definição | Exemplo na fábrica |
|---|---|---|
| Variável | Total proporcional ao volume; unitário constante | Liga, níquel, embalagem, comissão |
| Fixo | Total constante na faixa relevante; unitário cai com o volume | Aluguel, salários de gestão, depreciação linear |
| Semivariável (misto) | Parcela fixa + parcela variável | Energia elétrica: demanda contratada + consumo |
| Em degraus (semifixo) | Fixo por faixas; salta ao mudar de faixa | MOD por turno: abrir o 3º turno acrescenta uma equipe inteira |
A faixa relevante é o intervalo de volume em que essas relações valem. Acima da capacidade de um turno, o “fixo” muda de patamar.
2.2Separar fixo e variável: o método máximo-mínimo
Use o mês de maior e o de menor atividade:
Exemplo hipotético: a conta de energia da fundição foi R$ 92.000 no mês de 600 mil peças e R$ 125.000 no de 900 mil.
Parte variável: (125.000 − 92.000) ÷ (900.000 − 600.000) = R$ 0,11 por peça.
Parte fixa: 92.000 − 600.000 × 0,11 = R$ 26.000 por mês.
O método é simples e sensível a meses atípicos. Com 12 meses ou mais, a regressão linear (mínimos quadrados) dá estimativa melhor e mostra a qualidade do ajuste (R²).
2.3Margem de contribuição
A margem de contribuição é o quanto cada venda contribui para pagar a estrutura fixa e gerar lucro. É a base de quase toda decisão de curto prazo.
| Produto (planilha de controladoria) | Preço | Custo variável | Comissão 5% | MC | MC % |
|---|---|---|---|---|---|
| Cadeado | R$ 50 | R$ 30 | R$ 2,50 | R$ 17,50 | 35,0% |
| Fechadura | R$ 80 | R$ 50 | R$ 4,00 | R$ 26,00 | 32,5% |
| Acessório | R$ 20 | R$ 12 | R$ 1,00 | R$ 7,00 | 35,0% |
2.4Três pontos de equilíbrio
CF são os custos e despesas fixos desembolsáveis e D a depreciação. O econômico inclui a remuneração mínima do capital dos sócios; o financeiro olha só o caixa (Martins).
Exemplo: para aplicar CVL à DRE do Capítulo 1, adotamos uma divisão hipotética entre fixos e variáveis: 70% do CPV variável; comissões de 6% da receita líquida; logística variável; administração e o restante do comercial fixos.
| Linha | R$/ano |
|---|---|
| Receita líquida | 8.200.000 |
| Custos e despesas variáveis | 4.182.000 |
| Margem de contribuição | 4.018.000 (49,0%) |
| Custos e despesas fixos desembolsáveis | 2.214.000 |
| EBITDA | 1.804.000 |
| Ponto de equilíbrio | Cálculo | Receita líquida |
|---|---|---|
| Financeiro (sem dívida) | 2.214.000 ÷ 0,49 | R$ 4,52 milhões |
| Contábil | (2.214.000 + 246.000) ÷ 0,49 | R$ 5,02 milhões |
| Econômico (lucro mínimo de R$ 500 mil) | (2.214.000 + 246.000 + 500.000) ÷ 0,49 | R$ 6,04 milhões |
2.5Margem de segurança e alavancagem operacional
No exemplo, a margem de segurança sobre o ponto financeiro é 44,9%: as vendas podem cair quase metade antes de o EBITDA zerar. O grau de alavancagem operacional (GAO) é 4.018.000 ÷ 1.804.000 = 2,23. Vendas 10% maiores levam o EBITDA a R$ 2,21 milhões (+22,3%); 10% menores, a R$ 1,40 milhão.
O GAO é maior perto do ponto de equilíbrio. Fábricas com muita estrutura fixa (moldes, injetoras, linha galvânica) ganham muito com volume e sofrem muito com queda.
2.6Mais de um produto: o mix
Com vários produtos, o ponto de equilíbrio usa a MC% média ponderada pelo mix de receita. Se a receita se divide 40% cadeados, 40% fechaduras e 20% acessórios, a MC média é 0,4 × 35% + 0,4 × 32,5% + 0,2 × 35% = 34,0%. Vender mais fechaduras e menos cadeados, com a mesma receita, piora o resultado e eleva o ponto de equilíbrio.
A MOD de injeção e de polimento é paga por turno: no curto prazo ela é fixa em degraus, não variável por peça. A hora extra, sim, é variável. Tratar MOD como variável faz o pedido marginal parecer pior do que é (Capítulo 7).
2.7Limites da análise CVL
A CVL supõe preço e custo variável unitário constantes, custos fixos constantes na faixa relevante, mix estável e produção igual às vendas. Quando o volume sai da faixa ou o mix muda muito, refaça a análise.
- Custos se comportam como variáveis, fixos, mistos ou em degraus, sempre dentro de uma faixa relevante.
- Máximo-mínimo separa fixo e variável de forma rápida; regressão, de forma mais confiável.
- O ponto de equilíbrio tem três versões: contábil, econômico e financeiro.
- Margem de segurança mede folga; GAO mede a sensibilidade do resultado ao volume.
- O mix de vendas muda o ponto de equilíbrio.
- 2.1
Com custos fixos desembolsáveis de R$ 2.214.000 e MC de 45%, qual é o ponto de equilíbrio financeiro?
- 2.2
Com GAO de 2,23, quanto varia o EBITDA se as vendas caírem 5%?
Parte II — Custeio do produto
Capítulo 3Custeio por absorção e custeio variável
No mês em que a fábrica produz mais do que vende, o custeio por absorção mostra lucro maior que o variável: parte do custo fixo fica “guardada” no estoque. Quem não entende isso premia a superprodução.
3.1Os três componentes do custo de produção
| Componente | Conteúdo | Na maçaneta |
|---|---|---|
| Materiais diretos (MD) | Matéria-prima e componentes identificáveis na peça | Zamac, embalagem |
| Mão de obra direta (MOD) | Trabalho medido no produto | Operador de injeção, polidor |
| Custos indiretos de fabricação (CIF) | Tudo o mais que é fabril | Energia, manutenção, ferramentaria, químicos do banho, supervisão, depreciação |
MD + MOD formam o custo primário; MOD + CIF formam o custo de conversão — o que a fábrica agrega ao material.
3.2Custeio por absorção com departamentalização
No custeio por absorção, todo custo fabril vai para o produto. O caminho clássico tem três etapas:
Apropriar os CIF aos departamentos: produtivos (fundição, rebarbação, polimento, galvanoplastia) e de apoio (manutenção, ferramentaria, PCP, qualidade).
Redistribuir os departamentos de apoio aos produtivos, por bases que reflitam o consumo (horas de manutenção, ordens de ferramentaria).
Alocar dos produtivos aos produtos por uma base de atividade: horas-máquina na fundição, horas de MOD no polimento, m² ou carga de gancheira no banho.
Exemplo hipotético: a manutenção custa R$ 60.000/mês e atende fundição (60%), polimento (15%) e galvanoplastia (25%), medidos em horas de manutenção. A fundição recebe R$ 36.000, soma seus CIF próprios de R$ 84.000 e chega a R$ 120.000. Com 2.400 horas-máquina normais no mês, a taxa é R$ 50 por hora-máquina; uma peça que ocupa 0,002 h recebe R$ 0,10 de CIF da fundição.
A base de rateio importa. Ratear tudo por horas de MOD, num processo automatizado como a injeção, penaliza peças manuais e subsidia as automatizadas.
3.3Capacidade, taxa predeterminada e ociosidade
| Conceito de capacidade | Definição |
|---|---|
| Teórica | 100% do tempo, sem paradas |
| Prática | Teórica menos paradas inevitáveis (manutenção, setups, feriados) |
| Normal | Média esperada ao longo de vários períodos, considerando sazonalidade |
| Real | O que de fato se produziu no período |
O CPC 16 (R1) manda alocar o CIF fixo com base na capacidade normal. Se o volume real fica abaixo, a parcela não absorvida é despesa do período, não custo do estoque. Desperdícios anormais também não entram no estoque.
Na prática, a empresa usa uma taxa predeterminada de CIF (orçado ÷ base normal) ao longo do ano. No fechamento, a diferença entre CIF real e aplicado é a sub ou superabsorção, analisada no Capítulo 4.
A capacidade normal de uma injetora deve descontar trocas de molde, manutenção preventiva do molde e aquecimento. Usar a capacidade teórica faz toda parada aparecer como ociosidade e esconde o custo real do setup.
3.4Custeio variável e o efeito do estoque no lucro
No custeio variável, só os custos variáveis vão para o produto; os fixos são despesa do mês. Exemplo com a maçaneta num mês em que se produzem 100.000 peças e se vendem 80.000. Custo fabril variável de R$ 7,04 por peça; CIF fixo de R$ 40.000 (R$ 0,40 por peça na capacidade normal de 100.000); preço líquido R$ 15,54; comissão 6%; despesas fixas de R$ 15.000.
| Linha (R$) | Absorção | Variável |
|---|---|---|
| Receita líquida (80.000 × 15,54) | 1.243.200 | 1.243.200 |
| Custo variável das peças vendidas | (563.088) | (563.088) |
| CIF fixo nas peças vendidas (80.000 × 0,40) | (32.000) | — |
| Comissões | (74.592) | (74.592) |
| CIF fixo do mês (despesa) | — | (40.000) |
| Despesas fixas | (15.000) | (15.000) |
| Resultado | 558.520 | 550.520 |
| Estoque final de 20.000 peças | 148.772 | 140.772 |
A diferença de R$ 8.000 é exatamente o CIF fixo que ficou no estoque: 20.000 × R$ 0,40.
No mês em que o estoque baixa, a absorção mostra lucro menor. Um gestor avaliado pelo lucro por absorção pode melhorar o resultado produzindo para o estoque, o oposto do que o Lean pede (Capítulo 11).
3.5Custeio pleno (RKW)
O RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichkeit) rateia aos produtos todos os gastos, inclusive despesas comerciais e administrativas. Ainda aparece em formação de preço. O risco é o mesmo de qualquer rateio arbitrário, ampliado: custos que não variam com o produto passam a parecer causados por ele.
3.6Qual método para qual uso
| Uso | Método indicado | Por quê |
|---|---|---|
| Balanço, DRE societária, fisco | Absorção (capacidade normal) | Exigência legal (CPC 16) |
| Pedido especial, mix, fazer ou comprar | Variável / custos relevantes | Isola o que muda com a decisão |
| Controle da produção | Padrão com análise de variações | Mostra desvios e causas |
| Overhead e diversidade de produtos | ABC ou TDABC | Liga apoio a quem o consome |
| Preço de longo prazo | Absorção ou pleno, conferido com custo-meta | Precisa cobrir toda a estrutura |
- Custo de produção = MD + MOD + CIF; o CIF chega ao produto por departamentos e bases de rateio.
- Capacidade normal define o custo do estoque; ociosidade abaixo dela é despesa.
- Absorção e variável diferem pelo CIF fixo que entra ou sai do estoque.
- Cada método serve a um propósito; nenhum serve a todos.
- 3.1
No exemplo, se a fábrica produzisse 120.000 peças e vendesse 80.000 (com CIF fixo unitário de R$ 0,40), qual seria a diferença de resultado entre absorção e variável?
- 3.2
Em que situação os dois métodos dão exatamente o mesmo resultado?
Capítulo 4Custo-padrão, orçamento flexível e análise de variações
Num mês hipotético, a liga custou R$ 29.835 acima do padrão: 43% por preço de compra e 57% por consumo. São problemas de donos diferentes, e só a análise de variações os separa.
4.1Tipos de padrão
| Tipo | Definição | Uso |
|---|---|---|
| Ideal | Melhor desempenho possível, sem perdas | Referência de longo prazo; desmotiva como meta |
| Corrente (atingível) | Desempenho eficiente nas condições atuais, com perdas normais | O mais indicado para controle e custeio |
| Estimado | Média histórica | Ponto de partida quando não há estudo |
O padrão corrente da maçaneta, por peça:
| Item | Quantidade-padrão | Preço-padrão | Custo-padrão |
|---|---|---|---|
| Zamac (150 g + 2,5% de borra sobre 210 g fundidos) | 0,15525 kg | R$ 25,00/kg | R$ 3,881 |
| MOD de polimento | 0,020 h | R$ 45,00/h | R$ 0,900 |
| CIF fixo (capacidade normal 100.000 peças/mês) | — | R$ 40.000/mês | R$ 0,400 |
4.2Orçamento estático × flexível
O orçamento estático foi feito para o volume planejado. O flexível recalcula os custos-padrão para o volume real. Comparar o real com o estático mistura dois efeitos; o flexível os separa (Horngren, Datar e Rajan):
4.3Variações de material
Exemplo hipotético: no mês, 100.000 peças boas consumiram 16.200 kg de zamac a R$ 25,80/kg. O consumo permitido é 100.000 × 0,15525 = 15.525 kg.
| Variação | Cálculo | R$ | Sinal |
|---|---|---|---|
| Preço | (25,80 − 25,00) × 16.200 | 12.960 | Desfavorável |
| Quantidade | (16.200 − 15.525) × 25,00 | 16.875 | Desfavorável |
| Total | 16.200 × 25,80 − 15.525 × 25,00 | 29.835 | Desfavorável |
O preço é assunto de compras e do mercado de zinco; a quantidade é assunto da fundição: borra acima de 2,5%, canal não refundido, refugo. Em processos com várias ligas, a variação de quantidade ainda se divide em mix e rendimento.
4.4Variações de mão de obra direta
O polimento usou 2.150 h a R$ 46/h; o padrão para 100.000 peças é 2.000 h a R$ 45/h. Variação de taxa: (46 − 45) × 2.150 = R$ 2.150 D (reajuste, adicional, hora extra). Variação de eficiência: (2.150 − 2.000) × 45 = R$ 6.750 D (poros a corrigir, peças mais ásperas, operador novo).
4.5Variações de CIF
Para o CIF fixo, duas variações:
Gasto (orçamentária): real − orçado. Gastou R$ 41.000 contra R$ 40.000: R$ 1.000 D.
Volume: (capacidade normal − produção real) × taxa fixa. Produziu 90.000 em vez de 100.000: 10.000 × 0,40 = R$ 4.000 D. É a subabsorção por ociosidade, que vai para o resultado do mês (Capítulo 3).
Para o CIF variável, aplicam-se gasto e eficiência, como na MOD, usando a base de alocação (horas-máquina, por exemplo).
| Variação | Responsável típico | Perguntas de causa |
|---|---|---|
| Preço de material | Compras | Cotação do zinco? Frete? Lote mínimo? |
| Quantidade de material | Fundição | Borra? Temperatura do forno? Refugo? |
| Taxa de MOD | RH e produção | Horas extras? Dissídio? |
| Eficiência de MOD | Supervisão | Qualidade da peça injetada? Treinamento? |
| Gasto de CIF | Gestor da área | Manutenção corretiva? Energia? |
| Volume de CIF | Comercial e PCP | Demanda? Paradas? Falta de material? |
O preço do zinco oscila com o mercado internacional. Se o custo-padrão não separa preço de consumo, uma queda da cotação pode mascarar um aumento de borra, e vice-versa. Reporte as duas variações todo mês.
4.6Quando o custo-padrão atrapalha
Padrões velhos. No caso de OEE do Capítulo 12, mais de 50% dos produtos tinham tempos de ciclo desatualizados. Variação contra padrão errado é ruído.
Variação favorável que esconde problema. Comprar liga mais barata e menos pura dá variação de preço favorável e piora quantidade e qualidade no polimento.
Incentivo a lotes grandes. Eficiência medida contra padrão premia produzir muito do mesmo item, contra o fluxo enxuto (Capítulo 11).
- O padrão corrente, com perdas normais, é o melhor para controle.
- Compare o real com o orçamento flexível para separar volume de eficiência.
- Material, MOD e CIF têm variações de preço (ou gasto) e de quantidade (ou eficiência); o CIF fixo tem ainda a de volume.
- Cada variação precisa de dono e de causa, não só de valor.
- 4.1
Em outro mês, 100.000 peças consumiram 15.400 kg de zamac a R$ 24,50/kg. Calcule as variações de preço e de quantidade.
- 4.2
A variação de eficiência do polimento piorou no mesmo mês em que a de quantidade de zamac piorou. Que causa comum você investigaria primeiro?
Capítulo 5Custeio baseado em atividades, TDABC e UEP
Rateados por volume, os custos de setup e liberação de lote dão R$ 0,015 por peça a todos os produtos. Medidos por atividade, dão R$ 0,003 ao item de alto volume e R$ 0,26 ao de baixo volume: este último estava sendo subsidiado.
5.1O problema: overhead que não varia com o volume
Quando o overhead era pequeno e os produtos parecidos, ratear por horas de MOD bastava. Hoje, engenharia, PCP, qualidade, ferramentaria e setups pesam muito, e quem os consome são os itens de baixo volume e alta complexidade. O rateio por volume transfere esse custo para os itens de alto volume (Kaplan e Cooper, Custo e Desempenho).
5.2A hierarquia de custos
| Nível | Varia com | Exemplos na fábrica de zamac |
|---|---|---|
| Unidade | Cada peça | Liga, níquel, energia de fusão, embalagem |
| Lote | Cada lote ou ordem | Troca de molde, aquecimento, liberação da primeira peça, troca de gancheira ou de banho |
| Produto | A existência do item no portfólio | Manutenção do molde, ficha técnica, homologação com cliente, estoque de segurança |
| Instalação | A existência da fábrica | Aluguel, segurança, diretoria |
Só os custos de nível unitário variam com a quantidade de peças. Rateá-los todos por peça é a origem da distorção.
5.3ABC em quatro passos
Dividir os centros de custo em atividades.
Custear cada atividade.
Escolher um direcionador por atividade (número de setups, de ordens, de inspeções).
Alocar aos produtos pela quantidade de direcionador que cada um consome.
O ABC tradicional pede entrevistas e percentuais de tempo de cada pessoa, o que o torna caro de manter e sujeito a viés (Custos Lean).
5.4TDABC: o ABC dirigido pelo tempo
Kaplan e Anderson (Time-Driven Activity-Based Costing, 2007) simplificaram o método para dois parâmetros:
A capacidade prática costuma ficar em 80–85% do tempo pago, descontando pausas, treinamento e reuniões. Os minutos vêm de equações de tempo, que somam variações: por exemplo, setup = 90 min + 30 min se o molde tem gaveta + 15 min se a liga muda.
Exemplo hipotético: engenharia, PCP e qualidade somam 12 pessoas e R$ 180.000/mês. Capacidade prática: 12 × 160 h × 60 min × 80% = 92.160 min. Custo por minuto: R$ 1,953. Cada lote consome 90 min de setup, 30 min de liberação da primeira peça e 15 min de ordem de produção: 135 min = R$ 263,67.
| Item A (alto volume) | Item B (baixo volume) | |
|---|---|---|
| Volume no mês | 400.000 peças | 20.000 peças |
| Lotes no mês | 4 | 20 |
| Custo das atividades de lote | R$ 1.055 | R$ 5.273 |
| TDABC, por peça | R$ 0,0026 | R$ 0,2637 |
| Rateio por volume, por peça | R$ 0,0151 | R$ 0,0151 |
Pelo rateio, o item A paga quase seis vezes o que consome e o B paga 6% do que consome. Um preço baseado no rateio torna o B artificialmente competitivo e o A artificialmente caro.
O TDABC também mostra a capacidade não utilizada: os 3.240 min dessas atividades são uma fração dos 92.160 disponíveis. O que não for usado por nenhuma atividade aparece como ociosidade, em vez de ser escondido no custo dos produtos.
5.5UEP: a unidade de esforço de produção
Método de origem francesa (Georges Perrin) e difundido no Brasil (Franz Allora). A ideia é converter todos os produtos numa unidade comum de “esforço”:
Dividir a fábrica em postos operativos homogêneos.
Calcular o custo por hora de cada posto (o foto-índice).
Escolher um produto-base e exprimir cada posto em UEP por hora, relativa a ele.
Somar as UEPs que cada produto consome em seu roteiro.
Custo do produto = UEPs × custo da UEP no mês.
A UEP unifica produções diversas num só indicador, mede eficiência e ociosidade e aloca bem o CIF de fábrica. As despesas administrativas continuam arbitrárias, e os índices precisam ser revistos quando o processo muda.
5.6Do custo à gestão: ABM
A gestão baseada em atividades (ABM) usa o mapa de atividades para agir: eliminar o que não agrega valor, reduzir o tempo do que é necessário e repensar o portfólio de itens de baixo volume. O SMED (troca rápida) é ABM puro: menos minutos de setup derrubam o custo de lote, sobretudo dos itens pequenos.
Cromo acetinado, níquel escovado ou cores especiais de pintura geram trocas de banho, gancheiras dedicadas e liberações extras. São custos de lote e de produto. Rateados por peça, fazem o acabamento especial parecer tão barato quanto o padrão.
5.7Quando vale a pena
ABC ou TDABC compensam quando o overhead é grande, o portfólio é diverso, os volumes variam muito entre itens e há decisões de preço e de mix em jogo. Em fábrica de poucos produtos parecidos, o custeio por absorção bem departamentalizado basta.
- Rateio por volume distorce quando o overhead é de lote, de produto ou de instalação.
- A hierarquia de custos ajuda a escolher o direcionador certo.
- O TDABC precisa só de custo por minuto e de equações de tempo, e revela capacidade ociosa.
- A UEP unifica a produção numa unidade de esforço.
- O valor do ABC está na ação (ABM), não no número.
- 5.1
Com SMED, o evento de lote cai de 135 para 90 minutos. Qual o novo custo de atividades de lote por peça do item B?
- 5.2
Classifique na hierarquia de custos: (a) reaferição do molde após manutenção; (b) níquel depositado; (c) homologação de um item novo com o cliente; (d) seguro do prédio.
Capítulo 6O custo da peça fundida em zamac
Numa peça de zamac cromada, metal e acabamento somam quase 90% do custo; a injeção pesa menos de 5%. O processo é barato; o que custa é o material e o que se faz com a peça depois.
6.1A economia do processo
Segundo o Manual de Fundição sob Pressão da Votorantim (baseado na IZA):
| Fator | Zinco em câmara quente | Alternativas |
|---|---|---|
| Cadência, peças médias | 400–1.000 injeções/h; pequenas até 3.500/h | Alumínio 100–250; magnésio 200–300; plástico 100–300 |
| Energia por peça | Referência | Alumínio ≥ 50% mais; magnésio ≥ 15% mais |
| Vida do molde | 750 mil a 2 milhões de injeções | Alumínio ~250 mil; magnésio ~500 mil |
| Usinagem posterior | Mínima (forma quase final) | Maior em fundição por gravidade e usinagem de barra |
| Sucata | Canais e refugo voltam ao forno | Termofixos e estampados raramente se reciclam na fábrica |
Frente ao latão, o zamac custa cerca de 30% menos e permite paredes finas, mas resiste menos à corrosão (Fuhr et al., Feevale). Por isso a peça decorativa de zamac quase sempre leva cobre, níquel e cromo ou pintura.
A NADCA (Product Design for Die Casting, cap. 2.4) compara a fundição sob pressão com os processos concorrentes:
| Concorrente | Vence quando | A fundição sob pressão vence quando |
|---|---|---|
| Estampagem | Peça simples, uma só operação | Há várias estampagens, solda e montagem; a chapa perde muito no retalho |
| Usinagem de barra | Ferramental mínimo, peças de revolução | Volume alto; a barra pode aproveitar menos de 50% |
| Fundição por gravidade | Ferrosos, alta temperatura | Precisão elimina usinagem; volume dilui o molde |
| Microfusão | Volumes muito baixos | Volumes médios e altos |
| Extrusão | Seção constante | Há furos, rasgos e mudanças de seção |
| Plástico injetado | Peça decorativa leve | Rigidez, resistência, rosca sem inserto |
| Metalurgia do pó | Ferrosos, desgaste | Peças maiores e mais leves |
6.2Os quatro blocos de custo
Material. Preço líquido por volume × volume da peça. O preço líquido reúne cinco fatores: compra por kg, energia e manuseio para fundir, custo de refundir a sucata interna, valor da sucata vendida e sucata de usinagem. Canais, bucha e overflows voltam quase 100% ao forno; a refusão acrescenta tipicamente 5–10% ao custo do material (NADCA, cap. 2.3).
Processamento. Máquina e mão de obra. O custo por peça sobe com o tamanho da injetora; o ciclo depende da seção mais grossa e dos movimentos de gavetas.
Ferramental. Molde ÷ vida esperada + manutenção. A vida de um molde de zinco vai de 600 mil a 2 milhões de ciclos conforme velocidades de ataque, desmoldante, controle térmico e pré-aquecimento (Frech). A ferramenta de rebarbação soma 15–20% do valor do molde.
Pós-processamento. Rebarbação, usinagem, impregnação e acabamento. Em ferragens decorativas, o maior bloco depois do metal.
6.3O modelo da maçaneta
| Premissa | Valor | Origem |
|---|---|---|
| Massa da peça | 150 g | Hipótese |
| Canal, bucha e overflow por peça | 60 g (rendimento metálico 71,4%) | Hipótese |
| Preço do zamac | R$ 25/kg | Planilha de controladoria |
| Perda de liga no forno | 2,5% do metal fundido | Faixa interna 1,5–4% |
| Custo de refusão do retorno | R$ 1,875 por kg retornado | Hipótese |
| Taxa da célula (máquina + operador + energia) | R$ 150/h | Hipótese |
| Cadência | 500 golpes/h, 2 cavidades | Votorantim: 400–1.000 |
| OEE | 75% | Plano industrial |
| Molde | R$ 120.000, 1 milhão de golpes | Votorantim: 750 mil–2 milhões |
| Manutenção do molde | 40% do valor na vida útil | Hipótese |
| Ferramenta de rebarbação | 18% do molde | NADCA: 15–20% |
| Rebarbação / polimento / Cu-Ni-Cr | R$ 0,15 / 0,90 / 1,60 | Hipótese |
| CIF fixo na capacidade normal | R$ 0,40 | Hipótese |
| Item | R$/peça | % |
|---|---|---|
| Metal contido (0,150 kg × 25) | 3,750 | 50,4% |
| Perda de liga (0,210 kg × 2,5% × 25) | 0,131 | 1,8% |
| Refusão do retorno (0,060 kg × 1,875) | 0,113 | 1,5% |
| Injeção: 150 ÷ (500 × 2 × 0,75) | 0,200 | 2,7% |
| Amortização do molde: 120.000 ÷ 2 milhões de peças | 0,060 | 0,8% |
| Manutenção do molde | 0,024 | 0,3% |
| Ferramenta de rebarbação | 0,011 | 0,1% |
| Rebarbação | 0,150 | 2,0% |
| Lixamento e polimento | 0,900 | 12,1% |
| Galvanoplastia Cu/Ni/Cr | 1,600 | 21,5% |
| Embalagem | 0,100 | 1,3% |
| CIF fixo rateado | 0,400 | 5,4% |
| Custo fabril unitário, sem perdas de qualidade | 7,439 | 100% |
Agrupando: metal 53,7%, acabamento 35,6%, CIF 5,4%, injeção e ferramental 4,0%, embalagem 1,3%.
O zinco é a maior alavanca isolada. Cada R$ 1/kg muda o custo em cerca de R$ 0,16 por peça. Contratos de liga indexados à cotação internacional do zinco, com repasse ao preço de venda, protegem a margem.
A injeção é barata por peça, mas define a capacidade (Capítulo 12).
O acabamento concentra o valor agregado e, por isso, o custo das perdas (Capítulo 10).
6.4Do custo sem perdas ao custo por peça boa
Cada etapa rejeita parte das peças, e as boas carregam o custo das perdidas:
cᵢ é o custo agregado na etapa i e Yⱼ o rendimento de primeira passagem de cada etapa dali em diante. Com rebarbação 99%, polimento 96% e galvanoplastia 92% (o refugo da injeção já está no OEE), a maçaneta custa R$ 8,39 por peça boa, 12,8% acima do custo sem perdas. É esse o custo que deve ir ao preço (Capítulo 8).
6.5Refugo projetado e não projetado
Bar-Meir (Fundamentals of Die Casting Design) define refugo como todo metal que não virou produto e separa dois tipos:
| Tipo | Exemplo | O que fazer |
|---|---|---|
| Projetado | Canal, bucha, overflows, saídas de ar (60 g por maçaneta) | Minimizar: o menor sistema de alimentação na menor máquina que dê qualidade |
| Não projetado | Peças rejeitadas por porosidade, junta fria, falha | Eliminar |
As metas às vezes andam juntas: uma saída de ar dimensionada logo acima do ponto crítico expulsa o ar com o menor volume possível. Outras vezes conflitam: cortar canal demais gera porosidade (Volume 04).
6.6Custo por projeto, não por peso
Duas peças de 150 g podem custar diferente:
| Item variável (R$/peça) | Peça A: retorno 60 g, 500 golpes/h | Peça B: retorno 150 g, gaveta, 350 golpes/h |
|---|---|---|
| Refusão do retorno | 0,113 | 0,281 |
| Perda de liga no forno | 0,131 | 0,188 |
| Injeção | 0,200 | 0,286 |
| Soma | 0,444 | 0,754 |
A peça B custa R$ 0,31 a mais (4,2% do custo total), sem contar o molde mais caro. Cotada por peso, é subsidiada pela A. Bar-Meir recomenda precificar pelo custo real de projeto e produção e comparar, ao fim de cada projeto, o custo real com o orçado.
O molde pesa cerca de 1% do custo da maçaneta. Economizar no seu projeto raramente compensa: um molde mal resolvido gera porosidade, retrabalho de polimento e refugo na galvanoplastia, que custam dezenas de vezes mais. A erosão do aço se concentra onde a velocidade do metal é alta, há mudança brusca de direção ou falta refrigeração (NADCA).
- O zinco vence em cadência, energia e vida de molde; perde em corrosão, o que encarece o acabamento.
- O custo da peça fundida tem quatro blocos: material, processamento, ferramental e pós-processamento.
- Na maçaneta, metal e acabamento são quase 90% do custo.
- O custo relevante é o por peça boa: R$ 8,39 contra R$ 7,44 sem perdas.
- Retorno projetado se minimiza; refugo não projetado se elimina; preço por peso esconde as diferenças de projeto.
- 6.1
Se o zamac subir para R$ 27/kg, qual o novo custo sem perdas da maçaneta?
- 6.2
Quanto cai o custo sem perdas se o retorno de canal baixar de 60 g para 45 g por peça?
Parte III — Decisões
Capítulo 7Custos relevantes para decisão
Avaliado pelo custo cheio, um bom pedido pode ser recusado: a R$ 8,00, a maçaneta parece dar prejuízo contra o custo de R$ 8,39, mas ainda contribui com R$ 0,07 por peça. A decisão certa depende de olhar só o que muda.
7.1O que é relevante
Um custo é relevante quando é futuro e diferente entre as alternativas (Horngren, Datar e Rajan).
| Conceito | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
| Custo afundado | Já incorrido; nenhuma decisão o muda | O molde antigo, já pago |
| Custo de oportunidade | O que se deixa de ganhar na melhor alternativa | A margem de outro item que usaria a mesma injetora |
| Custo evitável | Desaparece se a alternativa for escolhida | Químicos do banho, se a galvanoplastia for terceirizada |
| Custo inevitável | Continua de qualquer forma | Aluguel do galpão da galvanoplastia |
7.2Pedido especial
Um cliente oferece comprar 100.000 maçanetas a R$ 11,00 líquidos, sem comissão, fora do mercado habitual. Há capacidade ociosa na injeção, no polimento e no banho.
| Base de análise | Custo por peça boa | Resultado por peça | Total |
|---|---|---|---|
| Custo cheio (com CIF fixo) | R$ 8,39 | R$ 2,61 | Superestima o custo em R$ 0,46 por peça |
| Custo variável relevante (sem CIF fixo, com perdas) | R$ 7,93 | R$ 3,07 | +R$ 307 mil |
O CIF fixo de R$ 0,40 já é pago com ou sem o pedido; não é relevante. Se o preço oferecido fosse R$ 8,00, o custo cheio mandaria recusar, e o pedido ainda acrescentaria R$ 0,07 por peça ao resultado.
Condições para aceitar: capacidade ociosa de verdade em todo o fluxo; nenhum custo fixo novo; nenhum efeito sobre o preço dos clientes regulares; pedido que não se repita como preço de referência. Se a MOD for paga por turno e houver gente ociosa, até parte dela sai do custo relevante; se o pedido exigir hora extra, o adicional entra.
7.3Fazer ou comprar
Um galvanizador oferece fazer o Cu/Ni/Cr por R$ 1,45 por peça. O custo interno é R$ 1,60, dos quais R$ 0,45 são fixos que continuariam mesmo terceirizando (prédio, estação de tratamento já instalada, supervisão compartilhada).
| Alternativa | Custo relevante por peça |
|---|---|
| Fazer: 1,60 − 0,45 inevitáveis | R$ 1,15 |
| Comprar | R$ 1,45 |
Pelos números, manter interno economiza R$ 0,30 por peça. A conta muda se a área liberada tiver uso melhor (custo de oportunidade) ou se os R$ 0,45 se tornarem evitáveis no médio prazo. Fatores qualitativos pesam tanto quanto: controle de qualidade da camada, lead time e transporte de peças polidas, dependência de fornecedor, conhecimento do processo e gestão de efluentes e riscos ambientais.
7.4Descontinuar um produto ou linha
Uma linha que dá “prejuízo” após o rateio pode estar pagando parte da estrutura. A regra:
Se a linha tem MC positiva e seus fixos não desaparecem, eliminá-la piora o resultado: os fixos são redistribuídos aos outros produtos.
7.5Recurso restrito: decidir pela margem por unidade do gargalo
Quando a capacidade limita, a pergunta deixa de ser “qual produto tem maior margem?” e passa a ser “qual produto gera mais margem por minuto do gargalo?”. Exemplo de Custos Lean: dois produtos passam por dois recursos com 2.400 min/semana cada; o custo operacional é R$ 10.500/semana.
| Produto X | Produto Y | |
|---|---|---|
| Demanda semanal | 120 | 120 |
| Preço − matéria-prima | 105 − 45 = R$ 60 | 100 − 50 = R$ 50 |
| Tempo no recurso A | 2 min | 10 min |
| Tempo no recurso B | 15 min | 10 min |
| Margem por minuto de B | R$ 4,00 | R$ 5,00 |
Atender toda a demanda exigiria 3.000 min de B (125%): B é o gargalo.
| Critério | Mix | Resultado semanal |
|---|---|---|
| Maior margem por unidade (X primeiro) | 120 X + 60 Y | −R$ 300 |
| Maior margem por minuto do gargalo (Y primeiro) | 80 X + 120 Y | +R$ 300 |
Corolário: investir R$ 100 para reduzir o tempo de Y no recurso A (que não é gargalo) não vende nenhuma peça a mais; só acrescenta depreciação. Uma hora ganha no gargalo é uma hora ganha na fábrica; uma hora ganha fora dele é uma miragem (Goldratt, A Meta).
7.6O custo afundado não decide
Um molde antigo de R$ 120.000, ainda não depreciado, gera 4% de refugo; um novo eliminaria o refugo. O valor contábil remanescente do molde antigo é irrelevante: já foi gasto. A decisão compara o investimento no molde novo com a economia futura de refugo, manutenção e capacidade (Capítulo 9).
Pedidos pequenos de peças de reposição costumam parecer lucrativos no custo médio e não são: carregam setup de molde, troca de banho e liberação de lote. Use o custo de lote do TDABC (Capítulo 5) como custo relevante.
7.7Armadilhas
Usar custo unitário com fixo rateado como se fosse variável.
Tratar MOD como variável quando é fixa no curto prazo, ou o contrário.
Esquecer o gargalo: aceitar um pedido que tira capacidade de produtos mais rentáveis por minuto.
Ignorar efeitos de longo prazo: o preço especial vira referência para o mercado.
Decidir só por números quando qualidade, risco e estratégia mudam a resposta.
- Relevante é o que é futuro e muda entre as alternativas; o afundado não conta.
- Pedido especial com capacidade ociosa se avalia pela margem de contribuição.
- Fazer ou comprar compara o custo evitável interno com o preço externo, mais o custo de oportunidade.
- Com gargalo, prioriza-se a margem por minuto do recurso restrito.
- 7.1
No pedido especial, qual o efeito no resultado se o preço oferecido for R$ 9,50? E R$ 7,50?
- 7.2
Na decisão de fazer ou comprar a galvanoplastia, o que muda se os R$ 0,45 de fixos se tornarem evitáveis?
Capítulo 8Formação de preço
O preço se monta de dentro para fora — custo, margem, tributos por dentro, substituição tributária por fora — e se confere de fora para dentro, contra o que o mercado paga. Precificar a maçaneta pelo custo sem perdas deixa o preço 11% abaixo do necessário.
8.1Três lógicas de preço
| Lógica | Pergunta | Uso |
|---|---|---|
| Custo | Quanto preciso cobrar para cobrir custo e margem? | Piso de preço; produtos sob encomenda |
| Mercado | Quanto a concorrência cobra? | Itens de catálogo, com referência clara |
| Valor | Quanto o cliente aceita pagar pelo que recebe? | Design, acabamento especial, marca, serviço |
As três convivem: o custo define o piso, o mercado e o valor definem o teto. Abaixo do custo variável relevante (Capítulo 7), não há pedido que se justifique; abaixo do custo cheio por peça boa, não há preço que se sustente no longo prazo.
8.2Margem sobre venda × markup sobre custo
| Margem sobre o preço | Markup sobre o custo | Preço de custo R$ 30 |
|---|---|---|
| 20% | 1,250 | R$ 37,50 |
| 30% | 1,429 | R$ 42,86 |
| 40% | 1,667 | R$ 50,00 |
| 50% | 2,000 | R$ 60,00 |
A armadilha: “por 40% em cima do custo” (markup 1,40) entrega margem de 28,6% sobre o preço.
8.3O divisor
Margem de contribuição, comissão e tributos por dentro são percentuais do preço: entram somados no mesmo divisor, nunca em divisões encadeadas. Custo R$ 30, MC de 40% e comissão de 6%, ambas sobre a receita líquida:
| Cálculo | Resultado |
|---|---|
| Preço líquido = 30 ÷ (1 − 0,40 − 0,06) | R$ 55,56 |
| Comissão = 55,56 × 6% | R$ 3,33 |
| Contribuição = 55,56 − 30,00 − 3,33 | R$ 22,22 (40,0%) |
A base da comissão segue o contrato do representante; ajuste o divisor se for outra.
8.4Tributos em três camadas
Camada 1 — preço líquido: o que a fábrica precisa receber.
Camada 2 — tributos por dentro: ICMS próprio, PIS e COFINS integram o preço da nota.
Camada 3 — ST por fora: a substituição tributária é recolhida pela indústria em nome da cadeia; não é receita dela.
Com as alíquotas da planilha formacao_preco_industrial_ferragens (SP → MG: ICMS 12%, interna 18%, MVA 45%, PIS 0,65%, COFINS 3% no presumido; valores não validados; IPI omitido):
| Linha | Valor |
|---|---|
| Preço líquido | R$ 55,56 |
| Preço da nota = 55,56 ÷ (1 − 0,1565) | R$ 65,86 |
| ICMS próprio (12%) | R$ 7,90 |
| PIS + COFINS | R$ 2,41 |
| ICMS-ST = 65,86 × 1,45 × 18% − 7,90 | R$ 9,29 |
| Total da nota | R$ 75,15 |
Prova: 65,86 − 7,90 − 0,43 − 1,98 = R$ 55,56.
Reforma tributária. Pela EC 132/2023 e a LC 214/2025, CBS e IBS substituem PIS, COFINS, ICMS e ISS: 2026 é ano de teste, a CBS entra plena em 2027 e o ICMS se extingue até 2033. A lógica de camadas continua; alíquotas, bases e créditos mudam. Revise a parametrização com a contabilidade a cada etapa.
8.5Auditoria da planilha de preço de ferragens
| Etapa da planilha | Fórmula | Resultado |
|---|---|---|
| Preço líquido indústria | 30 ÷ (1 − 0,40) | R$ 50,00 |
| Preço com comissão | 50,00 ÷ (1 − 0,06) | R$ 53,19 |
| ICMS total destino | 53,19 × 1,45 × 18% | R$ 13,88 |
| Preço com ICMS | 53,19 + 13,88 | R$ 67,07 |
| Preço indústria final | 67,07 ÷ (1 − 0,0365) | R$ 69,62 |
| Preço ao distribuidor | 69,62 ÷ (1 − 0,30) | R$ 99,45 |
Três problemas: (1) divisores encadeados derrubam a margem efetiva para 37,6%; (2) o ICMS cheio de destino é somado ao preço, misturando ICMS próprio e ST; (3) PIS e COFINS incidem sobre um total que já contém a ST. Corrija com a estrutura da seção 8.4.
8.6O preço da maçaneta: use o custo por peça boa
| Base de custo | Custo | Preço líquido (MC 40%, comissão 6%) |
|---|---|---|
| Sem perdas (Capítulo 6) | R$ 7,44 | R$ 13,78 |
| Por peça boa (Capítulo 6) | R$ 8,39 | R$ 15,54 |
Precificar sem as perdas deixa o preço 11% abaixo do necessário; a margem planejada de 40% vira cerca de 33%.
8.7Custo-meta e engenharia de valor
O custo-meta parte do preço que o cliente aceita e devolve à engenharia o custo que ela precisa atingir antes do lançamento (Cooper e Slagmulder, Target Costing and Value Engineering). Princípios: custo guiado pelo preço, foco no cliente, custo decidido no projeto, equipe multifuncional, visão do ciclo de vida e da cadeia de fornecedores.
Exemplo: o mercado paga R$ 14,00 líquidos pela maçaneta. Com MC de 40% e comissão de 6%, o custo-meta é 14,00 × 0,54 = R$ 7,56. O custo atual por peça boa é R$ 8,39: faltam R$ 0,83 (10%). A engenharia de valor examina cada função da peça e pergunta se pode ser entregue mais barato: parede mais fina com nervura, linha de partição plana, menos gavetas, camada de níquel na espessura certa, menos área a polir.
8.8Custeio kaizen: reduzir depois do lançamento
O custo-meta atua no projeto; o custeio kaizen atua na produção. Em vez de manter um padrão, define uma meta de redução periódica por item ou célula — por exemplo, 3% ao ano — alcançada por melhorias contínuas (Monden, Cost Reduction Systems). É a ponte entre este volume e os Volumes 08 a 10.
| Custo-padrão | Custo-meta | Custeio kaizen | |
|---|---|---|---|
| Fase | Produção | Projeto | Produção |
| Objetivo | Manter o padrão e explicar desvios | Atingir o custo que o mercado permite | Reduzir continuamente |
| Pergunta | Por que saímos do padrão? | Como projetar para esse custo? | Quanto reduzimos este período? |
Como o metal é metade do custo, contratos de venda com cláusula de reajuste pela cotação do zinco protegem a margem melhor do que qualquer ganho de produtividade. Sem a cláusula, uma alta de R$ 2/kg consome cerca de R$ 0,32 por peça, mais de 2% do preço.
- Custo dá o piso; mercado e valor dão o teto.
- Margem e markup não são a mesma coisa; percentuais do preço entram juntos no divisor.
- Tributos vêm em camadas: por dentro no preço, ST por fora.
- O custo que vai ao preço é o por peça boa.
- Custo-meta reduz no projeto; custeio kaizen reduz na produção.
- 8.1
Qual markup corresponde a margem de 35%? Qual o preço líquido da maçaneta (custo por peça boa R$ 8,39) com MC de 35% e comissão de 6%?
- 8.2
Se o mercado pagar R$ 13,50 líquidos e a empresa mantiver MC de 40% e comissão de 6%, qual o custo-meta e a distância para o custo atual?
Capítulo 9Decisões de investimento
Uma célula de polimento automatizada de R$ 900 mil cria R$ 374 mil de valor a uma taxa de 15% ao ano — mas só se o volume ficar acima de 881 mil peças por ano. O método importa menos que as premissas.
9.1O fluxo de caixa incremental
Só entra o que muda com o projeto (Capítulo 7):
Investimento inicial: equipamento, instalação, treinamento, capital de giro adicional.
Fluxos operacionais: economias de custo ou margem de contribuição adicional, menos novos custos (manutenção, energia, licenças).
Tributos: a depreciação não é caixa, mas reduz o IRPJ/CSLL no lucro real; esse escudo fiscal é fluxo do projeto.
Valor residual: venda do equipamento e recuperação do capital de giro no fim.
A taxa de desconto é a taxa mínima de atratividade (TMA), em geral o custo médio ponderado de capital da empresa mais um prêmio pelo risco do projeto (Brealey, Myers e Allen, Princípios de Finanças Corporativas).
9.2Os métodos
| Método | O que mede | Regra | Limitação |
|---|---|---|---|
| Payback simples | Anos para recuperar o investimento | Menor que o limite da empresa | Ignora o valor do dinheiro no tempo e o que vem depois |
| Payback descontado | Idem, com fluxos descontados | Menor que o limite | Ignora o que vem depois |
| VPL | Valor criado em reais de hoje | VPL > 0 | Depende da TMA escolhida |
| TIR | Taxa que zera o VPL | TIR > TMA | Engana ao comparar projetos de escalas diferentes |
Na dúvida entre métodos, decida pelo VPL.
9.3Exemplo: automatizar o polimento
Premissas hipotéticas: investimento de R$ 900.000; o custo de polimento cai de R$ 0,90 para R$ 0,55 por peça em 1,2 milhão de peças por ano (R$ 420.000); manutenção adicional de R$ 40.000/ano; fluxo líquido de R$ 380.000/ano por 5 anos; sem valor residual; TMA de 15%; análise antes de impostos.
| Ano | Fluxo | Fluxo descontado a 15% | Acumulado descontado |
|---|---|---|---|
| 0 | −900.000 | −900.000 | −900.000 |
| 1 | 380.000 | 330.435 | −569.565 |
| 2 | 380.000 | 287.335 | −282.231 |
| 3 | 380.000 | 249.856 | −32.374 |
| 4 | 380.000 | 217.266 | +184.892 |
| 5 | 380.000 | 188.927 | +373.819 |
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| VPL a 15% | R$ 373.819 |
| TIR | 31,5% ao ano |
| Payback simples | 2,37 anos |
| Payback descontado | 3,15 anos |
Sensibilidade. Se o volume cair 20% (960 mil peças), o fluxo cai para R$ 296.000 e o VPL para R$ 92.238. O VPL zera com 881 mil peças por ano. A pergunta-chave não é “a TIR é alta?”, é “quão firme é o volume?”.
9.4Investimento e gargalo
Um investimento que acelera um recurso não restritivo não vende peça nenhuma a mais (Capítulo 7). Ele só cria valor por economia de custo que sai de fato do caixa. Se o polimento for o gargalo, a célula automatizada também libera capacidade vendável e o fluxo deve incluir a margem das peças extras.
Molde novo × reforma (o valor contábil do molde antigo é afundado); sistema de vácuo para reduzir porosidade; termorreguladores e spray integrado, que podem levar a vida do molde de zinco de 600 mil para até 2 milhões de ciclos (Frech); automação de extração; estação de tratamento de efluentes, obrigatória, cujo VPL se mede contra o custo de não cumprir a lei.
9.5Armadilhas
Ganhos de produtividade que não saem do caixa (horas liberadas sem destino).
Esquecer capital de giro, treinamento, curva de aprendizado e paradas de partida.
Usar o valor contábil de ativos antigos na decisão (custo afundado).
Comparar projetos pela TIR quando os tamanhos são diferentes.
Contar a mesma economia em dois projetos.
- Só entram fluxos incrementais, incluindo escudo fiscal e capital de giro.
- VPL é o critério principal; TIR e payback complementam.
- Teste o volume e as economias: a sensibilidade decide mais que a taxa.
- Investimento fora do gargalo só vale pela economia de caixa.
- 9.1
Recalcule o VPL da célula de polimento com TMA de 20%.
- 9.2
Qual o volume anual mínimo que mantém o VPL não negativo a 15%?
Parte IV — Desempenho e melhoria
Capítulo 10Custo da qualidade
Na maçaneta, refugo e retrabalho elevam o custo de R$ 7,44 para R$ 8,39 por peça boa: R$ 950 mil por ano a cada milhão de peças. Uma peça perdida na galvanoplastia custa seis vezes mais que uma perdida na injetora.
10.1De onde vem o conceito
Feigenbaum organizou os custos da qualidade em prevenção, avaliação e falhas (modelo PAF); Juran os popularizou como “ouro na mina”; Crosby resumiu em Quality Is Free (1979): a qualidade é de graça, o que custa é o preço da não conformidade. O Juran Institute define o custo da má qualidade como os custos que desapareceriam se toda tarefa fosse feita sem deficiência:
Gerentes e operadores falam a língua das coisas; a alta direção fala a língua do dinheiro. O COPQ traduz uma na outra.
10.2As quatro categorias
| Categoria | Natureza | Exemplos numa fábrica de zamac |
|---|---|---|
| Prevenção | Custo de obter qualidade | Planejamento da qualidade, treinamento, estudos de capabilidade, manutenção preventiva de moldes, qualificação de fornecedor de liga, revisão de projeto com o fundidor |
| Avaliação | Custo de obter qualidade | Inspeção pós-polimento, névoa salina, medição de camada, análise de banho, auditorias |
| Falha interna | Custo da má qualidade | Refugo, retrabalho de lixamento, reinspeção, remoção de camada, horas extras para repor, paradas |
| Falha externa | Custo da má qualidade | Devoluções, reclamações, garantia, frete de reposição, abatimentos, vendas perdidas |
O modelo clássico supunha um “ótimo” em que mais prevenção deixaria de compensar. A visão moderna, apoiada nos resultados de Seis Sigma e Lean, é que o custo total continua caindo até muito perto do defeito zero: a prevenção quase sempre se paga.
10.3O iceberg
A primeira medição costuma enxergar só refugo, retrabalho, inspeção e devoluções: 4% a 5% das vendas. Abaixo da linha d’água ficam horas extras excessivas, frete expresso, estoque em excesso, capacidade ociosa, atrasos de planejamento, erros de faturamento, rotatividade e tempo com cliente insatisfeito. Com elas, o COPQ chega a 15–25% das vendas (Juran Institute).
| Nível sigma | COPQ típico (% das vendas) |
|---|---|
| 2 sigma | 30–40% |
| 3 sigma | 20–30% |
| 4 sigma | 15–20% |
| 5 sigma | 10–15% |
| 6 sigma | < 10% |
A distribuição comum dos gastos é a do incêndio: falhas internas 25–40% do total, externas 25–40%, avaliação 10–50% e prevenção 0,05–5%.
10.4A fábrica escondida e o RTY
O rendimento final conta as peças boas no fim, depois de todo retrabalho, e esconde a fábrica que conserta peças no caminho. O RTY (rolled throughput yield) conta só o que passou por todas as etapas sem refugo nem retrabalho (Werkema, Criando a Cultura Lean Seis Sigma, cap. 7):
Trinta etapas com 95,5% cada dão RTY de 25%: só uma em quatro peças atravessa o processo sem passar pela fábrica escondida. Na maçaneta, com rebarbação 99%, polimento 96% e galvanoplastia 92%, o RTY pós-injeção é 87,4%. As planilhas internas usam 85–95% de aprovação de primeira na galvanoplastia e 10–25% de peças com retrabalho estético como faixas de referência.
10.5Quanto custa perder a peça em cada etapa
Antes do banho, o metal da peça rejeitada volta ao forno (menos a refusão); depois de cobre, níquel e cromo, em geral não volta direto ao forno junto com a liga limpa.
| Onde a peça é rejeitada | Custo acumulado | Metal recuperado | Perda líquida |
|---|---|---|---|
| Injetora | R$ 4,69 | sim | R$ 1,22 |
| Rebarbação | R$ 4,84 | sim | R$ 1,37 |
| Polimento | R$ 5,74 | sim | R$ 2,27 |
| Galvanoplastia | R$ 7,34 | não (hipótese conservadora) | R$ 7,34 |
Inspecionar cedo vale dinheiro: achar o poro na injeção ou no polimento custa um terço do que achá-lo depois do cromo. O indicador interno de taxa de porosidade (referência 0,5–2%, detectada após lixamento) existe por isso.
10.6O tamanho do prêmio
Andresen (Die Casting Engineering, cap. 10) cita a máxima de que “uma redução de 5% no refugo dobra o lucro de uma fundição sob pressão” e estima a taxa típica de defeitos do processo em 5.000 a 10.000 ppm, longe dos 3,4 ppm do Seis Sigma. A máxima depende da margem: na DRE do Capítulo 1, cortar refugo equivalente a 5% do CPV poupa R$ 246 mil, ou +3,0 pontos de EBITDA, de 22% para 25%. O lucro só dobraria com margem de partida de cerca de 3%.
10.7Métricas e seus limites
| Base | Métrica | Leitura |
|---|---|---|
| Defeituosos | p (proporção de defeituosos), rendimento final | Uma peça com 1 ou 100 defeitos conta igual |
| Defeitos | DPU, DPO, DPMO, escala sigma | Conta cada defeito; compara processos de complexidade diferente |
| Dinheiro | COPQ | A única que entra direto na DRE |
Werkema desaconselha a escala sigma para acompanhar o programa: o número de “oportunidades de defeito” é subjetivo e manipulável. Todo resultado de melhoria deve ser expresso em reais.
10.8Função de perda de Taguchi
Para Taguchi, a qualidade é “atingir o alvo com a menor variabilidade possível”; a perda cresce com o quadrado do desvio, mesmo dentro da especificação (Ribeiro e ten Caten, Controle Estatístico do Processo, UFRGS, cap. 4):
A₀ é o custo de reparo ou substituição quando o desvio chega a Δ₀. A perda de um lote tem duas parcelas: desvio da média (fácil de corrigir) e dispersão (exige agir no sistema). Q > 1 pede centrar o processo; Q perto de zero pede reduzir variabilidade.
Exemplo do livro (pintura em túnel): alvo 0,40 mm, k = R$ 300/mm², dez medições entre 0,25 e 0,60 mm. Média 0,428 mm, desvio-padrão 0,111 mm, perda média R$ 3,95 por peça: R$ 0,24 (6%) por desvio da meta e R$ 3,72 (94%) por dispersão; Q = 0,25. O processo está centrado; o dinheiro está na dispersão. O mesmo vale para espessura de níquel, dimensão crítica de uma fechadura ou massa por golpe.
10.9Montando o relatório de COPQ
Identificar e quantificar os custos nas quatro categorias, linha a linha do plano de contas.
Expor a fábrica escondida: retrabalho, reinspeção, horas extras e fretes ligados a falhas.
Converter em reais com o custo acumulado da etapa onde a falha é detectada.
Medir sempre igual: mesma regra, janela e dono.
Priorizar por Pareto em reais.
Contar cada ganho uma vez só: o plano industrial prevê COPQ −10%, −20% e −30% por fase, e esse ganho não pode ser somado de novo como OEE ou horas extras.
Peças “salvas” por lixamento extra, desplacamento de camada descoberto no cliente, banhos recarregados por arraste de contaminantes, lotes refeitos por mancha. Nenhum aparece como “refugo” na DRE; todos são COPQ.
- PAF: prevenção e avaliação compram qualidade; falhas internas e externas são o preço da não conformidade.
- O COPQ oculto é muito maior que o visível.
- RTY revela a fábrica escondida; o custo da falha cresce a cada etapa.
- Taguchi mostra perda dentro da tolerância e separa desvio de dispersão.
- COPQ só vale se for medido em reais, sempre do mesmo jeito.
- 10.1
Um processo tem três etapas com rendimentos de primeira de 98%, 97% e 95%. Qual o RTY?
- 10.2
Uma bateria deve fornecer 12 V; um desvio de 2 V exige reparo de R$ 25. Calcule k e a perda de uma unidade que fornece 11 V.
Capítulo 11Contabilidade Lean e contabilidade de ganhos
Uma fábrica que cortou o lead time de 6 semanas para 2 dias e subiu a pontualidade de 82% para 98% viu o custo-padrão do produto subir de R$ 21,50 para R$ 25,50. O problema não estava na fábrica, e sim na régua.
11.1Duas distorções que o Lean expõe
O padrão não enxerga o fluxo. Numa célula com custo de R$ 580/h e matéria-prima de R$ 42 por item, o padrão soma os minutos de operação: o produto A (17 min) sai a R$ 90 e o B (24 min) a R$ 110. Mas a célula anda no ritmo da operação mais lenta, 6 min, e entrega 10 peças/h de qualquer dos dois. Custo real de ambos: 580 ÷ 10 + 42 = R$ 100 (Custos Lean).
A melhoria aparece como piora.
| Medida | Antes | Depois do Lean |
|---|---|---|
| Lead time | 6 semanas | 2 dias |
| Estoque | 25 dias | 5 dias |
| Tamanho do lote | 2.500 | 250 |
| Entregas no prazo | 82% | 98% |
| Custo do produto (padrão) | R$ 21,50 | R$ 25,50 |
O custo-padrão absorve mais setups e menos volume por lote. O caixa liberado pelo estoque, o serviço ao cliente e a capacidade não aparecem no custo do produto. Somado ao efeito do Capítulo 3 — produzir para o estoque melhora o lucro por absorção —, o sistema tradicional empurra a fábrica para lotes grandes.
11.2Contabilidade de ganhos (Teoria das Restrições)
Goldratt (A Meta) e Corbett (Contabilidade de Ganhos, 1997) reduzem a gestão a três medidas:
| Medida | Definição |
|---|---|
| Ganho (T) | Receita − custos totalmente variáveis (materiais, comissões, fretes de venda) |
| Investimento (I) | Dinheiro preso no sistema: estoques, máquinas, instalações |
| Despesa operacional (DO) | Todo o dinheiro gasto para transformar investimento em ganho, inclusive mão de obra |
A prioridade é aumentar T; depois reduzir I; por último reduzir DO. A mão de obra é despesa operacional, não custo do produto: não varia com cada peça no curto prazo.
Exemplo hipotético na maçaneta: preço líquido R$ 15,54; totalmente variáveis = liga R$ 3,99 + químicos e anodos do banho R$ 0,70 + insumos de polimento R$ 0,10 + embalagem R$ 0,10 + comissão R$ 0,93 = R$ 5,83. Ganho por peça: R$ 9,71. Se o banho for o gargalo e cada gancheira levar 40 peças num ciclo de 20 minutos, o ganho por minuto do gargalo é 9,71 × 2 = R$ 19,43. É esse número que se compara entre produtos que disputam o banho.
Os cinco passos de focalização: (1) identificar a restrição; (2) explorá-la ao máximo; (3) subordinar todo o resto a ela; (4) elevar sua capacidade; (5) se ela se deslocar, voltar ao passo 1 sem deixar a inércia virar a nova restrição.
11.3Princípios da contabilidade Lean
Foco no fluxo de valor, não no produto isolado.
Otimização global, não utilização local. “A soma dos ótimos locais não é igual ao ótimo global” (Csillag).
Perguntar o que muda no caixa. Corbett: se movimentarmos o material mais vezes, contrataremos alguém? Se movimentarmos menos, alguém sairá?
Simplicidade: menos rateios, menos transações, mais informação visual no chão de fábrica.
Ohno resumiu: “custos existem para ser reduzidos, não calculados”. Andresen traduz os cinco princípios Lean para a fundição: valor é a peça sem defeito que o cliente quer; o fluxo de valor deve eliminar o refugo; o fluxo deve ser contínuo; o cliente deve poder “puxar” peças boas da célula; a perfeição é quando ele pode fazer isso sempre.
11.4Custeio por fluxo de valor e box score
Maskell e Baggaley (Practical Lean Accounting, 2003) propõem organizar os custos por fluxo de valor — a família de produtos e todas as etapas que a atendem — em vez de por departamento. Quase tudo é custo direto do fluxo: pessoas, máquinas, materiais, área. O custo médio por unidade é simplesmente o custo total do fluxo na semana dividido pelas unidades expedidas.
O box score mostra numa só visão três blocos, antes e depois de cada melhoria:
| Bloco | Medidas típicas |
|---|---|
| Operacional | Vendas por pessoa, pontualidade, lead time (dock-to-dock), FPY, custo médio por unidade |
| Capacidade | Percentual do tempo produtivo, não produtivo (retrabalho, espera, setup) e disponível |
| Financeiro | Receita, custo do fluxo, ganho, estoque, margem do fluxo |
O bloco de capacidade resolve o paradoxo da seção 11.1: a melhoria Lean converte tempo não produtivo em capacidade disponível. O box score mostra essa capacidade e obriga a decidir o que fazer com ela: vender mais, internalizar, ou reduzir custo.
Na fábrica de ferragens, fluxos naturais seriam: maçanetas cromadas (injeção → polimento → Cu/Ni/Cr), cadeados (injeção/estampagem → montagem) e itens pintados (injeção → pintura a pó). Cada um com sua DRE semanal simples, sem rateio de galvanoplastia para quem não a usa.
- Custeio tradicional pune fluxo: não enxerga o ritmo da célula e premia lotes grandes.
- Contabilidade de ganhos mede T, I e DO e prioriza o ganho por minuto da restrição.
- Contabilidade Lean organiza custos por fluxo de valor e mostra a capacidade liberada no box score.
- A medida escolhida molda o comportamento da fábrica.
- 11.1
Se a gancheira passar a levar 50 peças no mesmo ciclo de 20 minutos, qual o novo ganho por minuto do banho?
- 11.2
Explique, em até três frases, por que um gestor avaliado pelo lucro por absorção e pela eficiência contra o padrão tende a produzir lotes grandes.
Capítulo 12Indicadores de desempenho e a ponte para o EBITDA
Cinco pontos de OEE na injetora da maçaneta valem R$ 14 mil por ano como redução de custo, ou R$ 1,24 milhão se as peças extras forem vendidas. Indicador operacional só vira dinheiro quando alguém decide o que fazer com ele.
12.1O painel de indicadores
As faixas abaixo vêm das planilhas internas e do plano industrial; são referências de trabalho sem fonte externa verificada. A meta de cada área deve partir da própria linha de base.
| Indicador | Definição | Faixa de referência (interna) | Meta do plano |
|---|---|---|---|
| Margem EBITDA | EBITDA ÷ receita líquida | 12–22% | >10% → 15% → 18% → 22% |
| Margem de contribuição | (Receita líquida − variáveis) ÷ receita líquida | 22–38% | 35–40%, até 44% |
| OEE | Disponibilidade × performance × qualidade | 65–85% | 75% → 78% → 80% |
| Conversão de horas | Horas-padrão ÷ horas pagas | > 70% | ≥ 75% |
| Horas extras | Horas extras ÷ horas pagas | — | 8–10% |
| FPY | Boas na primeira passagem ÷ processadas | — | ≥ 98% |
| OTIF | Pedidos no prazo e completos ÷ vencidos | — | ≥ 95% |
| Refugo | Condenadas ÷ produção | 1–3% (excelente < 1%) | −10%, −20%, −30% sobre a base |
| Dias de estoque | Estoque médio ÷ CPV diário | 25–50 (enxuta 20–35) | — |
| Giro de estoque | Vezes por ano | 6–12 (eficiente > 10) | — |
| Lead time de produção | Pedido → entrega interna | 3–15 dias (enxuta < 7) | — |
Numerador, denominador, janela e fonte de dados devem ser iguais em todos os períodos.
12.2OEE: definição, perdas e implantação
TPP: tempo de produção planejado; TPnP: paradas não planejadas; TCU: tempo de ciclo unitário padrão; QPP: peças processadas; TP: tempo em produção; QPR: peças refugadas (Raposo, ENEGEP 2011).
| Fator | Perdas | Na célula de zamac |
|---|---|---|
| Disponibilidade | Quebras, setup e ajustes | Troca de molde, bico entupido, aquecimento, falta de liga |
| Performance | Pequenas paradas, velocidade reduzida | Ciclo acima do padrão, extração manual, spray demorado |
| Qualidade | Refugo, retrabalho, perdas de partida | Primeiros golpes descartados, porosidade, junta fria |
A referência de classe mundial de Nakajima é 90% × 95% × 99% = 84,6%. O plano interno trata 75% como patamar de estabilidade, mas mostra componentes de 90%, 95% e 99% ao lado do OEE de 75%: números de medições diferentes, que precisam ser conciliados.
No caso estudado por Raposo, o OEE subiu de 51% para 65% em onze meses com: treinamento de todos; equipe dona da medição; cronoanálise e identificação do gargalo de cada linha; códigos de parada definidos com os operadores; folha de coleta padrão; quadros visuais; reunião diária; cartão de problema com dono; e nova medição para validar. Os obstáculos foram dados não apontados e mais de 50% dos produtos com tempo de ciclo desatualizado. A gestão contínua apoia-se em cinco elementos: coleta de dados, códigos de parada, gestão das seis grandes perdas, análise e fórum de desempenho (Volume 10).
12.3Horas pagas e horas produtivas
| Medida (plano industrial) | Horas | Relação |
|---|---|---|
| Horas-padrão produzidas | 27.151 | — |
| Horas normais | 29.956 | Padrão ÷ normais = 90,6% |
| Horas extras | 6.081 | HE ÷ normais = 20,3% |
| Horas pagas | 36.037 | Padrão ÷ pagas = 75,3%; HE ÷ pagas = 16,9% |
Na jornada normal a conversão é boa; o problema é precisar de 16,9% de horas extras. É falta de capacidade, não de esforço: as alavancas são OEE, setup e manutenção.
12.4Como o OEE vira dinheiro
Ganho de OEE é capacidade e só chega ao EBITDA por três caminhos: mais venda com margem positiva; menos custo de capacidade (horas extras, turno, terceirização); ou investimento evitado.
| Caminho (célula da maçaneta, 4.000 h/ano, 500 golpes/h, 2 cavidades, OEE 75% → 80%) | Valor anual |
|---|---|
| Redução de custo por peça (R$ 0,014 × 1 milhão) | R$ 14 mil |
| Horas liberadas para o mesmo volume: 4.000 × (1 − 75/80) | 250 h |
| 200.000 peças a mais × MC de R$ 6,22 | R$ 1,24 milhão |
A última linha só vale com demanda e com capacidade no polimento e no banho; se o gargalo for o banho, o OEE da injetora não move o resultado.
12.5Preço, volume e custo: explicando a variação da margem
A análise preço-volume-custo decompõe a diferença entre a margem real e a orçada:
Exemplo hipotético com a maçaneta: orçado 1,0 milhão de peças a R$ 15,54 com custo variável (custo + comissão) de R$ 9,32; real 1,1 milhão a R$ 15,20 com R$ 9,45.
| Efeito | Cálculo | R$ |
|---|---|---|
| Volume | 100.000 × 6,22 | +622.000 |
| Preço | (15,20 − 15,54) × 1.100.000 | −374.000 |
| Custo | −(9,45 − 9,32) × 1.100.000 | −143.000 |
| Variação da MC | 6.325.000 − 6.220.000 | +105.000 |
A margem total subiu, mas o volume escondeu uma perda de preço e de custo de R$ 517 mil. Com vários produtos, acrescenta-se o efeito mix (mudança na participação de itens com margens diferentes). A variação de custo se abre com as variações do Capítulo 4.
12.6Capital de giro e retorno sobre o capital
EBITDA não é caixa: estoque e contas a receber prendem dinheiro.
DIO são os dias de estoque, DSO os dias de recebimento e DPO os dias de pagamento a fornecedores. Com DIO de 45, DSO de 60 e DPO de 40 dias, o ciclo de conversão de caixa (CCC) é de 65 dias. Na DRE do Capítulo 1 (CPV de R$ 4,92 milhões), 45 dias de estoque são R$ 607 mil; reduzir para 30 dias libera R$ 202 mil de caixa. Com um custo de carregar estoque da ordem de 20–30% ao ano (capital, área, seguro, obsolescência, oxidação), isso vale cerca de R$ 50 mil por ano, além do caixa liberado.
O ROIC une margem e giro (análise DuPont). Exemplo hipotético: EBIT de R$ 1.558.000 da DRE, tributos de 34%, NOPAT de R$ 1,03 milhão; capital investido de R$ 4,6 milhões (imobilizado + capital de giro). Margem NOPAT 12,5% × giro 1,78 = ROIC de 22,4%. Cria valor enquanto o ROIC superar o custo de capital. Reduzir estoque melhora o giro; reduzir custo melhora a margem: os dois mexem no mesmo número.
12.7A ponte de EBITDA do plano
Com receita de R$ 85 milhões, cada ponto percentual de EBITDA vale R$ 850 mil por ano (10% = R$ 8,5 milhões; 22% = R$ 18,7 milhões).
| Alavanca do plano | Hipótese | Pontos | R$/ano |
|---|---|---|---|
| Preço e mix | MC +2 p.p. | 2,0 | 1.700.000 |
| Produtividade e OEE | Capacidade sem MOD proporcional | 2,0 | 1.700.000 |
| Estrutura | Otimização após os ganhos | 2,0 | 1.700.000 |
| Compras e material | MC +1 p.p. | 1,0 | 850.000 |
| Horas extras | De 16,9% para 10% | 1,0 | 850.000 |
| Qualidade | COPQ −20% | 0,5 | 425.000 |
| Soma | 8,5 | 7.225.000 |
A soma não fecha a meta: partindo de 10%, leva a cerca de 18,5%; faltam 3,5 pontos (R$ 3 milhões) para 22%. E as alavancas se sobrepõem: OEE, horas extras e qualidade disputam o mesmo ganho. A ponte precisa de mais iniciativas, de crescimento de receita ou de meta revista.
12.8Governança do painel
Dono e frequência: EBITDA e MC mensais; OEE diário por célula; horas extras, FPY e OTIF semanais.
Faixas de alerta do plano: OEE amarelo entre 70% e 75%, vermelho abaixo de 70%; horas extras amarelas entre 10% e 15%, vermelhas acima de 15%.
Pendências a resolver antes de fechar a ponte: MOI informada (50) × listada (51); OEE de 75% × 84,6%; período das horas; linha de base de refugo, retrabalho e COPQ.
Indicador líder ligado a efeito econômico: MTBF, aderência ao plano, tempo de setup, cada um com o impacto que gera em capacidade, horas extras ou margem.
- O painel liga operação a dinheiro; sem regra fixa de medição, não há tendência.
- OEE é capacidade; vira EBITDA por venda, custo de capacidade evitado ou investimento evitado.
- Preço, volume, custo e mix explicam a variação da margem.
- Capital de giro e ROIC completam o EBITDA.
- A ponte do plano soma 8,5 pontos e deixa 3,5 pontos sem dono.
- 12.1
Uma injetora tem disponibilidade de 88%, performance de 92% e qualidade de 97%. Qual o OEE?
- 12.2
Com DIO de 40, DSO de 55 e DPO de 45 dias, qual o ciclo de conversão de caixa?
Capítulo 13Programa de redução de custos
Na maçaneta, subir a aprovação de primeira da galvanoplastia de 92% para 95% vale mais do que comprar zamac R$ 1/kg mais barato. Um programa de custos começa por medir onde está o dinheiro, não por cortar onde é mais fácil.
13.1Método em quatro etapas
Auditar a fábrica e levantar os custos operacionais: materiais, mão de obra, diretos, indiretos, despesas.
Acompanhar os custos num calendário fixo, no mesmo período contábil.
Analisar cada categoria: custo de fabricação = material + mão de obra + indiretos; custo unitário = total ÷ unidades.
Reduzir ou eliminar com plano, prazo e acompanhamento (Cost Savings in Manufacturing).
Toda economia se mede contra uma linha de base: valor, período, fonte e dono definidos antes da ação.
13.2Sete alavancas gerais
| Alavanca | Ideia | Aplicação em ferragens de zamac |
|---|---|---|
| Manufatura enxuta | Valor, fluxo, puxar, melhoria contínua | Fluxo entre injeção, polimento e banho sem estoques intermediários |
| Suprimentos e fornecedores | Consolidar, negociar, prever melhor | Contratos de liga indexados ao zinco; qualificação de pureza |
| Qualidade | Menos retrabalho, refugo e garantia | Detectar poro antes do banho |
| Treinamento e engajamento | Habilidade e menos rotatividade | Certificação por posto em injeção e banho |
| Eliminação de desperdícios | Energia, horas extras, venda de resíduos | Borra e sucata vendidas com valor; fornos tampados |
| Gestão de riscos | Contingência para cadeia e mercado | Estoque de segurança de liga; segundo fornecedor de químicos |
| Engenharia de valor | Reduzir custo sem perder desempenho | Paredes finas com nervuras, linha de partição plana, menos gavetas |
13.3Desperdício é custo com outro nome
O Sistema Toyota trata juntas três famílias de perda: muda (atividade sem valor), mura (irregularidade) e muri (sobrecarga). Eliminar uma mexe nas outras.
| Desperdício | Onde aparece na DRE |
|---|---|
| Superprodução | Estoque, capital de giro, área, obsolescência |
| Espera | Mão de obra paga sem produção; horas extras para recuperar |
| Transporte | Movimentação, danos à peça polida |
| Processamento em excesso | Polimento além do necessário; camada acima da especificação |
| Estoque | Juros, seguro, espaço, peças oxidando antes do banho |
| Movimentação | Produtividade da MOD |
| Defeitos | COPQ (Capítulo 10) |
| Talento não usado | Melhorias que ninguém propôs |
13.4Priorizar antes de agir
Pareto em reais, não em ocorrências.
ABC de materiais: classes por valor e consumo, cada uma com seu fluxo e estoque.
ABC de máquinas e Cost Deployment: estratificar o custo de quebras por equipamento (matriz C do WCM) e priorizar as máquinas que mais pesam na perda total.
Sensibilidade por peça boa: quanto cada alavanca move o custo do produto.
| Alavanca na maçaneta (base R$ 8,39 por peça boa) | Redução por peça | Por milhão de peças |
|---|---|---|
| Galvanoplastia de 92% para 95% de primeira | R$ 0,262 | R$ 262 mil |
| Zamac R$ 1/kg mais barato | R$ 0,183 | R$ 183 mil |
| Polimento de 96% para 98% de primeira | R$ 0,134 | R$ 134 mil |
| Perda de liga de 2,5% para 1,5% | R$ 0,060 | R$ 60 mil |
| Retorno de canal de 60 g para 45 g | R$ 0,043 | R$ 43 mil |
| OEE da injetora de 75% para 80% | R$ 0,014 | R$ 14 mil |
O OEE aparece por último como custo, mas é a alavanca de capacidade (Capítulo 12).
13.5Referências para as alavancas do processo
| Alavanca | Referência | Fonte |
|---|---|---|
| Rendimento do forno | 92–97%; perdas acima de 8% indicam problema | Indicadores_ZAMAC (interno) |
| Perda de liga por oxidação e borra | 1,5–4%; excelência < 2% | Indicadores_ZAMAC (interno) |
| Vida do molde de zinco | 600 mil a 2 milhões de ciclos, conforme spray e controle térmico | Frech |
| Energia por peça | Alumínio gasta ≥ 50% mais que o zinco | Votorantim |
| Aprovação de primeira na galvanoplastia | 85–95% | Indicadores_ZAMAC (interno) |
| Parâmetros da linha de cromagem | +33,5% de capacidade só com ajuste de variáveis | TCC Unilasalle (2010) |
| Rendimento da tinta em pó | Até 98% de reaproveitamento; R = 1000 ÷ (camada × peso específico) m²/kg | WEG DT-13 |
Andresen (Die Casting Engineering, cap. 10) lembra que estabilizar o processo é a primeira alavanca: cartas de controle sobre até cinco variáveis por molde, Pareto de defeitos, DOE para fixar a janela de operação e correções pequenas. No zinco, temperaturas acima de cerca de 440 °C aumentam inclusões duras de alumínio e ferro, que aparecem como riscos no polimento: temperatura do forno é alavanca de custo do acabamento.
13.6Tempo também é custo
Com 10.000 peças entre a injetora e a embalagem e saída de 2.000 por dia, o lead time é de 5 dias (Lei de Little). Reduzir o WIP é quase sempre mais barato que aumentar a saída (Werkema, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, cap. 3). Menos lead time significa menos estoque a financiar, menos peça riscada ou oxidada esperando e menos urgência.
13.7Como comprovar a economia
Linha de base antes da ação, com dono e fonte.
Separar preço, consumo e mix: queda do zinco não é ganho de processo (Capítulo 4).
Ligar cada ganho a uma linha da DRE e contar uma vez só.
Só é economia o que sai do caixa: hora liberada sem destino não é economia.
Não cortar o que gera margem: hora extra que produz peça vendida com MC positiva dá lucro.
Transformar a meta anual em custeio kaizen por célula (Capítulo 8).
13.8Roteiro do plano industrial
| Fase | Horizonte | Objetivo | EBITDA | OEE | Horas extras | MC |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 Diagnóstico | 0–30 dias | Dados conciliados: DRE, horas, OEE, qualidade, quadro | > 10% | Medir | Medir causas | Linha de base |
| 1 Estabilizar | 31–90 dias | Reduzir pressão sem perder OTIF e qualidade | 10–12% | ≥ 75% | ≤ 10–12% | ≥ 40% |
| 2 Produtividade | 3–6 meses | Capacidade: setup, manutenção, processos, mix | 12–15% | 77–78% | 8–10% | 40–42% |
| 3 Escalar | 6–12 meses | Margem: preço e mix, compras, produtividade | 15–18% | ≈ 80% | 8–10% | 42–44% |
| 4 Excelência | 12–24 meses | Aproximar 22% sem deteriorar o cliente | 18–22% | ≥ 80% | 8–10% | ≥ 44% (hipótese) |
13.9Checklist antes de decidir com os modelos deste volume
☐ Receita, deduções, CPV e despesas conciliam com o balancete do mesmo período?
☐ Roteiros, consumos de liga, perdas e tempos-padrão estão atualizados por SKU?
☐ A capacidade normal reflete calendário, turnos e manutenção planejada?
☐ Tributos e comissões usam a base certa, já na regra de transição CBS/IBS?
☐ O custo usado no preço é o custo por peça boa?
☐ Receita de R$ 85 milhões e quadro de pessoal (MOI 50 × 51) estão conciliados?
☐ Cada iniciativa tem linha de base, dono, data e comprovação numa linha da DRE, contada uma vez?
- Audite, acompanhe, analise e só então reduza, sempre contra uma linha de base.
- Desperdício é custo; traduza cada um numa linha da DRE.
- Priorize pelo impacto no custo por peça boa e pela capacidade do gargalo.
- Comprove a economia no caixa e conte-a uma vez só.
- 13.1
Ordene as alavancas da tabela da seção 13.4 que não dependem do mercado de zinco e explique por que a primeira vem antes do OEE.
- 13.2
Com 15.000 peças em processo e saída de 2.500 peças por dia, qual o lead time? Quanto WIP seria preciso para chegar a 3 dias com a mesma saída?
Apêndices
AFormulário
| Grandeza | Fórmula | Cap. |
|---|---|---|
| Custo dos produtos vendidos | EI acabados + produção acabada − EF acabados | 1 |
| Separação fixo/variável (máx-mín) | b = Δcusto ÷ Δvolume; a = C − bQ | 2 |
| Ponto de equilíbrio | Fixos ÷ MC% (contábil: + depreciação; econômico: + lucro mínimo) | 2 |
| Margem de segurança | (Receita − PE) ÷ receita | 2 |
| Alavancagem operacional | MC total ÷ resultado | 2 |
| Diferença absorção − variável | (Produção − vendas) × CIF fixo unitário | 3 |
| Variação de preço | (P real − P padrão) × Q real | 4 |
| Variação de quantidade | (Q real − Q permitida) × P padrão | 4 |
| Variação de volume do CIF fixo | (Capacidade normal − produção) × taxa fixa | 4 |
| TDABC | Custo da capacidade ÷ minutos práticos × minutos da atividade | 5 |
| Custo do molde por peça | Preço ÷ (vida × cavidades) + manutenção | 6 |
| Custo por peça boa | Σ custo da etapa ÷ produto dos rendimentos dali em diante | 6 |
| Prioridade com gargalo | MC ÷ minutos no recurso restritivo | 7 |
| Preço por margem / markup | C ÷ (1 − m) / 1 ÷ (1 − m) | 8 |
| Preço líquido e da nota | C ÷ (1 − MC − com); P líq ÷ (1 − tributos por dentro) | 8 |
| ICMS-ST | P nota × (1 + MVA) × alíquota interna − ICMS próprio | 8 |
| Custo-meta | Preço de mercado − margem desejada | 8 |
| VPL | −I₀ + Σ FCₜ ÷ (1 + i)ᵗ | 9 |
| RTY | Produto dos rendimentos de primeira | 10 |
| Perda de Taguchi (lote) | k[(média − alvo)² + s²], k = A₀ ÷ Δ₀² | 10 |
| Contabilidade de ganhos | LL = T − DO; RSI = (T − DO) ÷ I | 11 |
| OEE | Disponibilidade × performance × qualidade | 12 |
| Efeitos preço-volume-custo | (Qr − Qo)MCo; (Pr − Po)Qr; −(CVr − CVo)Qr | 12 |
| Ciclo de conversão de caixa | DIO + DSO − DPO | 12 |
| ROIC | NOPAT ÷ capital investido = margem × giro | 12 |
| Lei de Little | Lead time = WIP ÷ taxa de saída | 13 |
BGlossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| ABC / TDABC | Custeio por atividades; na versão TDABC, dirigido por minutos e capacidade prática |
| Box score | Painel Lean com medidas operacionais, de capacidade e financeiras de um fluxo de valor |
| Capacidade normal | Produção média esperada ao longo de vários períodos; base do rateio do CIF fixo (CPC 16) |
| CIF | Custos indiretos de fabricação |
| COPQ | Custo da má qualidade: o que sumiria se tudo fosse feito sem deficiência |
| Custeio kaizen | Meta periódica de redução de custo na produção |
| Custo afundado | Custo já incorrido, irrelevante para decisões futuras |
| Custo de oportunidade | Ganho da melhor alternativa abandonada |
| Custo-meta | Preço de mercado menos margem desejada; meta de custo do projeto |
| Custo relevante | Custo futuro que difere entre alternativas |
| EBITDA | Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização |
| Faixa relevante | Intervalo de volume em que fixos e variáveis se comportam como previsto |
| Ganho (T) | Receita menos custos totalmente variáveis (Teoria das Restrições) |
| GAO | Grau de alavancagem operacional: sensibilidade do resultado ao volume |
| Margem de contribuição | Receita menos custos e despesas variáveis |
| MVA | Margem de valor agregado usada na base do ICMS-ST |
| OEE | Eficiência global do equipamento |
| Orçamento flexível | Orçamento recalculado para o volume real |
| Rendimento metálico | Massa da peça ÷ massa injetada |
| RTY | Rendimento acumulado de primeira passagem |
| UEP | Unidade de esforço de produção: unifica produtos diversos numa medida comum |
CGabarito dos exercícios
| Exercício | Resposta |
|---|---|
| 1.1 | (a) investimento; (b) custo; (c) despesa; (d) perda; (e) custo; (f) despesa |
| 1.2 | EBITDA = 100 − 18 − 70 − 20 = −8%; CPV para 10%: 100 − 18 − 20 − 10 = 52% |
| 2.1 | 2.214.000 ÷ 0,45 = R$ 4,92 milhões |
| 2.2 | −5% × 2,23 = −11,2% (cerca de R$ 201 mil) |
| 3.1 | (120.000 − 80.000) × 0,40 = R$ 16.000 a mais na absorção |
| 3.2 | Quando a produção é igual às vendas (o estoque não varia) ou não há custo fixo de fabricação |
| 4.1 | Preço: (24,50 − 25,00) × 15.400 = R$ 7.700 favorável; quantidade: (15.400 − 15.525) × 25 = R$ 3.125 favorável |
| 4.2 | Qualidade do metal ou do processo de injeção (temperatura do forno, liga contaminada, porosidade): mais refugo consome liga e mais poros exigem lixamento |
| 5.1 | 90 × 1,953 = R$ 175,77 por lote; 20 lotes ÷ 20.000 peças = R$ 0,176 por peça |
| 5.2 | (a) produto (ou lote, se feita a cada lote); (b) unidade; (c) produto; (d) instalação |
| 6.1 | Bloco de metal sobe de R$ 3,99 para R$ 4,31; custo sem perdas R$ 7,76 (+R$ 0,32) |
| 6.2 | R$ 0,037 por peça (refusão R$ 0,028 + perda de liga R$ 0,009) |
| 7.1 | R$ 9,50: (9,50 − 7,93) × 100.000 = +R$ 156.550, aceitar se houver capacidade ociosa; R$ 7,50: −R$ 43.450, recusar |
| 7.2 | O custo relevante interno passa a R$ 1,60, acima de R$ 1,45: comprar economiza R$ 0,15 por peça, salvo fatores qualitativos |
| 8.1 | Markup 1,538; 8,39 ÷ 0,59 = R$ 14,22 |
| 8.2 | 13,50 × 0,54 = R$ 7,29; distância de R$ 1,10 (13% do custo atual) |
| 9.1 | 380.000 × 2,9906 − 900.000 = R$ 236.433 |
| 9.2 | Cerca de 881 mil peças por ano |
| 10.1 | 0,98 × 0,97 × 0,95 = 90,3% |
| 10.2 | k = 25 ÷ 2² = R$ 6,25/V²; L(11 V) = 6,25 × 1² = R$ 6,25 |
| 11.1 | 2,5 peças/min × R$ 9,71 = R$ 24,29 por minuto |
| 11.2 | Produzir acima das vendas guarda CIF fixo no estoque e melhora o lucro por absorção; a eficiência contra o padrão premia volume por setup; os dois incentivam lotes grandes e estoque |
| 12.1 | 0,88 × 0,92 × 0,97 = 78,5% |
| 12.2 | 40 + 55 − 45 = 50 dias |
| 13.1 | Galvanoplastia (R$ 0,262) > polimento (0,134) > perda de liga (0,060) > retorno de canal (0,043) > OEE (0,014). A perda no fim do fluxo carrega todo o custo acumulado; o OEE só vale como custo se não houver demanda para a capacidade liberada |
| 13.2 | 15.000 ÷ 2.500 = 6 dias; para 3 dias, WIP de 7.500 peças |
DBibliografia
Obras de referência que orientam a estrutura do volume (leitura recomendada; não estão na biblioteca da pasta):
Horngren, C.; Datar, S.; Rajan, M. Contabilidade de Custos: uma abordagem gerencial. Pearson.
Martins, E. Contabilidade de Custos. Atlas.
Kaplan, R.; Cooper, R. Custo e Desempenho (Cost & Effect). Futura, 1998.
Kaplan, R.; Anderson, S. Time-Driven Activity-Based Costing. Harvard Business School Press, 2007.
Goldratt, E.; Cox, J. A Meta. Nobel.
Corbett Neto, T. Contabilidade de Ganhos. Nobel, 1997.
Maskell, B.; Baggaley, B. Practical Lean Accounting. Productivity Press, 2003.
Cooper, R.; Slagmulder, R. Target Costing and Value Engineering. Productivity Press, 1997.
Monden, Y. Cost Reduction Systems: Target Costing and Kaizen Costing. Productivity Press, 1995.
Crosby, P. Quality Is Free. McGraw-Hill, 1979.
Juran, J. (org.). Juran’s Quality Handbook. McGraw-Hill.
Brealey, R.; Myers, S.; Allen, F. Princípios de Finanças Corporativas. McGraw-Hill.
Fontes da biblioteca Carrasco Manufaturing usadas (códigos do PLANO_VOLUMES_CAPITULOS.md):
| Código | Documento | Caps. |
|---|---|---|
| C01 | E-book Volume 01 — Custos Industriais (versão anterior) — BIBLIOTECA_UNICA/01_Gestao_e_Custos | 1, 8, 12, 13 |
| C02 | Custos Lean (Cotil/Unicamp) — Kaizen&Lean | 3, 5, 7, 8, 11 |
| C03 | Cost of Poor Quality (Juran Institute) — Kaizen&Lean | 10 |
| C04 | Cost Savings in Manufacturing — Kaizen&Lean | 1, 13 |
| Z01 | Manual de Fundição sob Pressão (Votorantim Metais) — ZAMAC | 6, 13 |
| Z04 | Fuhr et al., microestrutura e corrosão do Zamak 5 (Feevale) — GALVANOPLASTIA | 6 |
| Z10 | Andresen, Die Casting Engineering (2005), cap. 10 — ZAMAC | 10, 11, 13 |
| Z12 | NADCA, Product Design for Die Casting (2015), caps. 2.3–2.4 — ZAMAC/Cálculo Canal | 6, 8 |
| A02 | Bar-Meir, Fundamentals of Die Casting Design, caps. 1.2–1.3 — ZAMAC/Cálculo Canal | 6 |
| F07 | Frech, Integration of Modular Spraying Systems — ZAMAC/Material Frech | 6, 9, 13 |
| G01 | TCC Unilasalle, linha de cromagem (2010) — GALVANOPLASTIA/Curso de Galvanoplastia.pdf | 13 |
| P02 | WEG, Apostila DT-13 — Tintas em pó — Pintura Po | 13 |
| L02 | Werkema, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, cap. 3 — Kaizen&Lean | 13 |
| L03 | Werkema, Criando a Cultura Lean Seis Sigma, caps. 3 e 7 — Kaizen&Lean | 10 |
| L13 | 3M — Muda, Mura, Muri — Kaizen&Lean | 13 |
| L26 | Treinamento Análise ABC — Kaizen&Lean | 13 |
| Q10 | Ribeiro e ten Caten, Controle Estatístico do Processo (UFRGS), cap. 4 — Kaizen&Lean | 10 |
| M01 | Raposo, OEE em empresa de bebidas (ENEGEP 2011) — OEE | 12 |
| M02, M03 | Treinamento OEE Rev A; 5 Elementos de Gestão e Melhoria do OEE — Kaizen&Lean | 12 |
| — | Planilhas DRE_Padrao, Controladoria, DRE 3 Regimes, Formação de preço de ferragens, Indicadores de Manufatura, Plano Industrial OEE-EBITDA r1 — CUSTOS | 1, 2, 8, 12, 13 |
| — | Indicadores_ZAMAC — ZAMAC | 10, 12, 13 |
Normas citadas: CPC 16 (R1) — Estoques; CPC 26 (R1) — Apresentação das demonstrações contábeis; EC 132/2023 e LC 214/2025 — reforma tributária do consumo.
